Eleições dramáticas
Finalmente, a campanha de verdade vai começar.
Até agora foi o ensaio de um espetáculo desafinado, com protagonistas desastrados e enrolados nos cadarços dos próprios sapatos.
A plateia se divide entre odiar um ou outro dos ponteiros — e torcer por uma terceira via que não consegue entrar em cena.
Como toda eleição presidencial, temos dramas em curso.
Teme-se a transição; outros temem o continuísmo.
Nesta eleição, porém, há camadas adicionais: tensão institucional, incerteza econômica, polarização, escândalos graves, questões geopolíticas e uma disputa intensa pelas narrativas.
O eleitor observa tudo com desconfiança.
A rejeição aos principais nomes é elevada e amplia o contingente dos que decidirão por exclusão, não por adesão, e, provavelmente, na reta final de uma eleição que, salvo fatos novos, tende a ser muito disputada.
Porém, o quadro dado pode sofrer alterações.
O improvável pode acontecer e ameaçar os favoritos, que já sofrem com elevada rejeição.
Não é a tendência, mas é uma possibilidade.
Continua após a publicidade As redes sociais, turbinadas pela inteligência artificial, ampliam sua influência sobre uma audiência fragmentada e cada vez menos leal a partidos.
Os algoritmos viraram cabos eleitorais mais poderosos.
A imprensa, que detinha o poder de agendamento e enquadramento, tem sua influência ofuscada.
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