Indústria do livro está doente e descontos enganam leitores, diz Martins Fontes
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Alexandre Martins Fontes tem certeza de que a indústria do livro no Brasil está doente. E se cansou, como diz, de alimentar ele mesmo os sintomas dessa doença. Chegou a um momento de "basta", ou, em suas palavras, "enough is enough".
Presidente da Associação Nacional de Livrarias há dois anos e voz influente entre livreiros, ele afirma à coluna estar farto da desvalorização do livro promovida pela política generalizada de descontos massivos sobre preços de capa.
É uma doença, diz o dono da Livraria Martins Fontes, "criada pela própria indústria brasileira", algo cavado pelos atores do mercado que "inventaram isso de que, para vender livros, precisa oferecer desconto".
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O livreiro conta que todos os dias entram pessoas nas suas lojas com um celular na mão reclamando que "na Amazon está mais barato". Só que "se a Megafauna, a Travessa, a Martins Fontes venderem livros com esse desconto, fecham as portas". E a derrocada das livrarias levaria a cabo a bibliodiversidade e feriria o próprio trabalho das editoras, prejudicando ainda mais o mercado.
A solução, diz ele, é a indústria ter vontade política de estabelecer regras para si mesma, operando de acordo com normas mais rígidas de preços. "E o 'player' principal nisso é a editora. O leitor vai acabar tendo um mercado mais saudável. Hoje, ele está sendo enganado."
"É falácia dizer que precisa oferecer desconto para a pessoa comprar o livro. O correto é criar um ecossistema para produzir mais e, assim, ter tiragens maiores e custos menores."
O editor decidiu parar de esperar sentado pela aprovação da Lei Cortez —apelidada de lei do preço fixo, uma pauta antiga do mercado editorial tramitando no Congresso que estabeleceria um desconto máximo para livros recém-lançados— e tomou duas atitudes relevantes.
A primeira é parar de vender as obras de sua editora, a WMF Martins Fontes , para a Amazon. A segunda é suspender sua participação em feiras universitárias, como a Festa do Livro da Universidade de São Paulo —que, em 2025, atraiu 50 mil leitores e vendeu 362 mil exemplares, garantindo sempre um desconto mínimo de 50%.
"Quando eu dei minha declaração de que a Feira da USP presta um desserviço para a cultura brasileira, e assino embaixo dessa frase, é porque ela contribui para o enfraquecimento do ecossistema dos livros, das livrarias e das editoras", diz, se referindo a uma fala que gerou controvérsia em um encontro recente da ANL.
Representantes da Festa da USP estavam presentes naquela ocasião, onde se levantou a possibilidade de diminuir a faixa de descontos praticada no evento.
Martins Fontes vem munido de uma pesquisa que aponta que 79% dos consumidores da Festa da USP deixam de comprar livros antes de sua realização. "É uma falácia dizer que seja só uma grande feira por ano. Tem feira universitária o ano inteiro", aponta, citando eventos similares na Unesp, na PUC e na UFMG.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.