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Agricultura ameaça os animais dos quais depende para continuar produzindo

Revista Fórum ·
Agricultura ameaça os animais dos quais depende para continuar produzindo

A agricultura que derruba vegetação e reduz a biodiversidade pode estar eliminando justamente os animais dos quais dependemos para continuar produzindo.

Sem as abelhas, muitas plantas perdem importantes agentes de reprodução, um problema que tende a se agravar à medida que a crise climática altera temperaturas, chuvas e períodos de floração.

Em meio a esse cenário, pesquisadores brasileiros encontraram no próprio corpo desses insetos pistas sobre quais linhagens conseguiram atravessar milhões de anos de transformações ambientais.

Línguas, mandíbulas, asas, pernas e até fósseis ajudam a reconstruir essa história e podem contribuir, no futuro, para proteger lavouras e recuperar florestas.

Os resultados vêm de dois grandes estudos desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação em Entomologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP).

As pesquisas reuniram cerca de 15 anos de trabalho , expedições por mais de 30 países e consultas a importantes coleções científicas internacionais.

Leia: Leite: um fator pode elevar a produção e reduzir a emissão de metano, dizem estudos Quando contar espécies já não é suficiente A destruição de uma floresta não pode ser medida apenas pela quantidade de espécies que desapareceram.

Junto com cada animal perdido também podem sumir características construídas durante milhões de anos de evolução.

Uma abelha pode possuir uma língua adaptada a determinado formato de flor.

Outra pode tolerar temperaturas mais elevadas, construir ninhos em ambientes específicos ou transportar pólen de uma maneira diferente.

Quando uma dessas linhagens desaparece, o ecossistema não perde apenas uma espécie: pode perder toda uma função.

É essa diversidade de características que a chamada fenômica procura compreender.

Enquanto a genômica investiga o DNA, a fenômica analisa características observáveis dos organismos, como formas, estruturas corporais e adaptações.

A combinação das duas abordagens permite reconstruir com maior precisão a história evolutiva das abelhas.

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