Em entrevista, MC Soffia comenta volta de projeto de educação antirracista para crianças com uso do hip hop
MC Soffia está retomando o trabalho de educação antirracista que desenvolve com crianças e escolas desde 2017. Aos 22 anos, a rapper quer voltar a promover rodas de conversa e outras atividades sobre racismo, identidade e autoestima, aproximando sua trajetória artística de uma nova geração de crianças.
Em entrevista ao Conexão BdF , da Rádio Brasil de Fato , Soffia falou sobre a nova fase do “Pretinha Rainha”, agora dentro da “Turma da Sofisticada”, e defendeu o hip hop como ferramenta de formação e transformação social. “O hip hop sempre teve um papel superimportante, principalmente nas periferias, dentro de casa e nas escolas”, afirmou a artista.
MC Soffia começou a carreira ainda criança e ganhou projeção com músicas como “Menina Pretinha” e “Rapunzel de Dread”, nas quais abordava racismo, identidade negra e autoestima. Hoje, parte desse repertório também chegou às salas de aula.
“Minhas músicas, ‘Menina Pretinha’, ‘Rapunzel de Dread’ e ‘Brincadeira de Criança’ estão nos livros didáticos. Então as crianças estudam sobre minhas músicas, escrevem as respostas, ganham nota”, contou a rapper.
Mesmo depois de crescer e desenvolver trabalhos voltados ao público da sua faixa etária, a relação com as crianças permaneceu. “Mesmo que eu tenha ficado adulta, já estivesse fazendo trabalhos adultos, a criançada sempre esteve comigo”, destacou a cantora.
Para a artista, a persistência de situações de racismo, bullying e outras formas de discriminação mostra que esse trabalho continua necessário.
“Eu senti essa necessidade de voltar porque acho que ainda tem muita criança que passa por muitas situações e, até hoje, os pais ou muitas escolas ainda não sabem lidar com isso”, explicou Soffia. “No Brasil ainda tem muita gente que acha que racismo não existe.”
A proposta inclui atividades em escolas públicas, particulares e outras instituições, com conversas adaptadas para diferentes faixas etárias. Soffia já começou a realizar encontros e diz que pretende colocar as próprias crianças no centro das discussões.
“A criança gosta de ver uma outra menina preta que canta, que estava lá assistindo ao meu clipe ‘Menina Pretinha’, e hoje está na escola dela”, relatou a rapper.
Durante as rodas de conversa, ela parte de situações presentes no cotidiano infantil. “Eu converso: ‘É certo xingar o amiguinho? É certo falar do cabelo, da cor?’. A gente sabe de onde veio a nossa cor, de onde veio o nosso cabelo, a importância de se amar, mas conversando com eles também”, disse.
hop dentro das escolas. Para ela, os diferentes elementos da cultura — MC, DJ, break e grafite — historicamente criaram possibilidades para jovens, especialmente nas periferias.
“Esses elementos salvaram muitas vidas”, avaliou a artista. “Com essa nossa luta do movimento hip hop, a gente sempre fez oficinas nas escolas, em saraus, em eventos culturais, levando a nossa cultura.”
A rapper citou Racionais MC’s, Emicida e Negra Li ao falar sobre a capacidade do rap de produzir mensagens que permanecem para além de um sucesso momentâneo.
“Não é simplesmente uma música que vai ‘hitar’. É uma música que fica por anos e anos”, afirmou Soffia.
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