Tecnologia perpassa todos os setores do plano de governo de Renan Santos
A tecnologia de ponta aparece como elemento transversal nos capítulos do programa de governo do candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão), tornando-se um dos pilares das propostas do ex-MBL (Movimento Brasil Livre). Intitulado O Livro Amarelo , o documento de 51 páginas é um resumo de um plano de governo cuja íntegra tem 500 páginas, divididas entre diagnósticos e propostas.
Entre os temas relacionados à tecnologia estão inteligência artificial, conectividade móvel, semicondutores, terras raras, saúde digital, agricultura, ciberdefesa e monitoramento urbano. A seguir, estão as principais propostas apresentadas pelo candidato.
Vale lembrar que Mobile Time recentemente matérias sobre os programas de governo de Lula e Romeu Zema .
Para a conectividade, especialmente móvel, o programa cita redes 5G, 5,5G e 6G, neste caso, em um horizonte de longo prazo. Santos avalia que o Brasil enfrenta um “déficit crítico de infraestrutura dedicada”.
Uma das soluções propostas é a criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), voltadas à transformação industrial e ao desenvolvimento econômico. Entre os pilares das ZEEs estariam a conectividade móvel 5G e 6G e a logística portuária otimizada. O programa cita como referências os modelos de Shannon, na Irlanda, e Shenzhen, na China.
As ZEEs também seriam utilizadas para estimular o desenvolvimento do Nordeste, com a criação de três polos industriais. Um deles seria o de Aratu-Camaçari, na Bahia, voltado para mobilidade elétrica, baterias e semicondutores.
No caso dos semicondutores, o programa estabelece como objetivo reindustrializar o Brasil, reduzir a dependência externa e inserir o país no mercado global de alta tecnologia. A proposta prevê o uso das ZEEs como instrumento para atrair investimentos para a produção de microchips, com regimes tributários facilitados, financiamento e simplificação de licenciamento.
O plano também prevê uma ZEE voltada a terras raras, com a verticalização da produção nacional em oito etapas. O oitavo e último estágio da cadeia seria destinado à fabricação de semicondutores e tecnologias de defesa.
A produção de semicondutores é tratada como uma meta de longo prazo. O cronograma prevê a criação de marcos legais entre 2027 e 2028, uma planta-piloto de terras raras entre 2029 e 2030, a operação em escala comercial da mineração entre 2030 e 2032 e, finalmente, a expansão e integração da manufatura de ímãs e semicondutores entre 2032 e 2036.
Na área de educação, o programa propõe a criação de centros de pesquisa universitários voltados à exploração de minerais críticos e ao desenvolvimento de tecnologias nacionais. A ideia é formar uma cadeia completa, desde a extração do minério até a fabricação de componentes e chips de tecnologia avançada. Para isso, o plano prevê a realocação de recursos universitários federais de cursos bacharelescos tradicionais para disciplinas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), tendo como referências modelos da China, de Cingapura e de Israel.
As terras raras são consideradas estratégicas pelo Missão para o desenvolvimento de tecnologias avançadas.
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