Reciprocidade tenta fazer EUA negociarem tarifas novamente, diz Arko Advice
O governo brasileiro notificou Washington sobre o início do processo de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros.
Segundo Michael Lopez Stewart, da Arko Advice, a intenção do governo federal ao acionar esse instrumento diplomático é exercer pressão para que os Estados Unidos retomem as tratativas sobre as taxações, sem o objetivo de escalar as tensões comerciais.
O Brasil foi atingido por duas tarifas distintas: uma de 25%, específica para produtos brasileiros, e outra de 12,5%, que também incide sobre outros países.
Em determinados casos, as tarifas combinadas podem chegar a 37,5%, embora exista uma lista de exceções para certos produtos.
Lei de Reciprocidade Econômica: instrumento de pressão, não de retaliação imediata Leia Mais Governo analisa setores para reciprocidade e tenta evitar "tiro no pé" Governo avalia usar Lei de Reciprocidade contra EUA por tarifaço Comissões do Congresso cobram negociação e criticam reciprocidade aos EUA O que o governo brasileiro decidiu foi acionar formalmente a Lei de Reciprocidade Econômica , aprovada pelo Congresso e sancionada em 2025.
O especialista destaca que esse movimento não representa uma decisão definitiva de retaliação.
O que se iniciou agora é um processo: o Itamaraty notificou o governo americano e pediu a abertura de consultas diplomáticas.
Paralelamente, a Camex avaliará os efeitos das tarifas e quais medidas poderiam eventualmente ser adotadas.
O próprio governo brasileiro sinalizou que pretende usar esse instrumento com proporcionalidade, mantendo a negociação como prioridade.
Márcio Elias Rosa deixou isso claro ao afirmar que o Brasil adotará apenas medidas que possam contribuir para solucionar a questão comercial.
Nesse sentido, a lei de reciprocidade funciona também como instrumento de pressão e de negociação: o Brasil demonstra que possui mecanismos para responder, mas, ao mesmo tempo, mantém aberta a porta para um acordo com Washington.
Três pontos de atenção: economia, diplomacia e política O primeiro ponto de atenção é econômico.
A decisão preocupa os empresários brasileiros , especialmente os setores mais expostos ao mercado americano.
Qualquer escalada tarifária aumenta a incerteza e pode prejudicar as exportações, os investimentos e as decisões empresariais.
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