RBS, ideologia e a transparência como forma sofisticada de poder
A RBS pode ser compreendida como uma das empresas capitalistas mais engenhosas e bem planejadas da história política e midiática do Rio Grande do Sul.
Não apenas por sua capacidade empresarial, por sua presença regional ou por sua integração com a televisão, o rádio, o jornal impresso, as plataformas digitais e os eventos, mas sobretudo por sua aptidão em transformar interesses particulares em linguagem pública, pública em aparência, mas profundamente estruturada por escolhas políticas, econômicas e ideológicas.
A própria narrativa institucional do Grupo RBS enfatiza sua origem em 1957, sua expansão a partir da Rádio Gaúcha, a associação da TV Gaúcha à Rede Globo em 1967 e a aquisição de Zero Hora em 1970, elementos que ajudam a entender sua centralidade na formação do senso comum gaúcho.
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A construção histórica de uma hegemonia regional Há cerca de três décadas, a empresa assumiu uma posição frontal contra setores da esquerda gaúcha, especialmente contra o PT, contra o MST e contra experiências administrativas que tensionavam o consenso liberal então dominante.
Essa oposição não precisa ser lida apenas como preferência eleitoral explícita; ela se manifestou, antes, como uma pedagogia cotidiana da opinião pública.
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