O anti-Milei avança: é este homem o próximo presidente da Argentina?
É o carma da Argentina: cada presidente que assume anula tudo o que o anterior fez, garantindo a falta de credibilidade permanente do país no mercado internacional.
E não existe maior candidato a fazer tábula rasa de toda a radical experiência libertária de Javier Milei do que Axel Kicillof , governador da província de Buenos Aires.
A mais recente pesquisa, da Tendencias, mostra uma vantagem considerável para o rival que em tudo é o oposto de Milei: num segundo turno, Kicillof teria 46,1% dos votos, contra 37,4% para o incumbente.
É uma tremenda diferença de 8,7 pontos e outras pesquisas não são tão categóricas.
Sem contar que a eleição presidencial é só em outubro do ano que vem e muitas reviravoltas podem acontecer.
Mas o básico já está definido: Milei controlou a inflação, embora esteja longe de zerá-la e não deve mudar muito o ritmo até a eleição.
Promoveu várias reformas no inchado aparelho do Estado e acena com a atração de grandes investimentos para monetizar os fantásticos recursos argentinos.
Até agora, o dinheiro não é nada impressionante.
E a perspectiva de que um estatista militante como Kicillof, que renacionalizou a empresa petrolífera quando foi ministro da Economia, com enormes prejuízos para o país, venha a ser o próximo presidente deixa os estrangeiros mais arredios ainda.
O ciclo de governos que se anulam sucessivamente é uma praga sem fim.
Para a maioria dos argentinos, interessa que sobra mês no fim do salário – a situação atinge 41,2% dos pesquisados pela Tendencia; 22,4% tiveram que cortar despesas e apenas 16,9% têm uma folga para poupar.
Com mil dias de governo completados no sábado, Milei não pode mais responsabilizar admiinistrações anteriores, embora tenham sido de fato catastróficos: 44,4% acham que a maior responsabilidade pelos problemas econômicos é o atual governo; 28,6% põem a culpa no ex-presidente Alberto Fernández e 21,4% dizem ambos.
Continua após a publicidade ‘MATAR A MÃE’ O debate entre Milei e Kicillof poderia ser interessante, por representarem polos extremamente opostos em relação ao papel do Estado e qual a forma de governar que mais contribui para melhorar a vida dos governados.
Ambos são economistas, professores universitários e autores de livros defendendo amplamente suas ideias.
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