Astrônomos descobrem primeira corrente estelar fora da Via Láctea
Uma equipe internacional de pesquisadores identificou, pela primeira vez fora da Via Láctea, uma corrente estelar formada a partir de um aglomerado globular.
O fenômeno foi encontrado na galáxia ultradifusa UGC9050-Dw1 e descrito em um estudo publicado na revista Nature na última quarta-feira (12).
A descoberta foi conduzida pela doutoranda Julie Kiel Holm, do Niels Bohr Institute, pela professora associada Sarah Pearson, da DTU Space, e por colaboradores de diferentes instituições.
O resultado amplia para outras galáxias uma técnica que já era empregada no estudo da distribuição de matéria escura dentro da Via Láctea.
A importância do achado está justamente na possibilidade de usar essas estruturas extremamente tênues como rastros da ação gravitacional.
A análise da corrente permitiu aos cientistas obter novas estimativas sobre a massa da UGC9050-Dw1 e sobre a quantidade de matéria escura presente em seu halo.
Uma nova maneira de observar o que não emite luz Via Láctea – Imagem: McCarthy's PhotoWorks/Shutterstock Correntes estelares são estruturas alongadas compostas por estrelas que se desprenderam de aglomerados globulares, concentrações densas de estrelas mantidas unidas pela gravidade.
Com o tempo, a interação gravitacional com a galáxia hospedeira retira parte dessas estrelas do aglomerado e produz uma espécie de trilha no espaço.
Essas formações são particularmente valiosas para a astronomia porque sua trajetória responde à distribuição de massa da galáxia.
Como a matéria escura não pode ser observada diretamente por meio da luz, seus efeitos gravitacionais podem servir como uma forma indireta de investigá-la.
Até agora, porém, esse recurso estava restrito à Via Láctea.
A dificuldade aumenta consideravelmente quando os pesquisadores tentam localizar correntes desse tipo em outras galáxias, pois o brilho dessas estruturas é muito baixo.
Estrelas brilhantes – Imagem: Triff/Shutterstock Foi nesse cenário que UGC9050-Dw1 se tornou especialmente relevante.
A galáxia pertence à categoria das ultradifusas, caracterizadas por emitirem pouca luz.
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