Em ato desesperado, Netanyahu reafirma “fraude” e está a um passo de deixar o poder
De Alicante, ESPANHA | Encurralado pelo avanço das oposições e sem margem para construir uma maioria no parlamento, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recorreu nesta quarta-feira (28) ao expediente mais conhecido da extrema direita global: denunciar, sem provas, que o processo eleitoral do país foi “roubado”.
A reação colérica ocorre no momento em que a contagem dos votos das eleições legislativas indica a inviabilidade de sua permanência à frente do Executivo, abrindo caminho para que uma coalizão entre o bloco oposicionista e partidos de representação árabe alcance os 61 assentos necessários para expulsá-lo do cargo.
Isolado e sob severa pressão internacional devido ao genocídio perpetrado contra a população palestina na Faixa de Gaza, o premiê viu desmoronar as chances de consolidar uma base governista estável na Knesset.
Ao perceber que os números oficiais inviabilizam a sua continuidade na chefia do governo, Netanyahu acionou o método consagrado por figuras como Donald Trump nos EUA e a família Bolsonaro no Brasil, disparando acusações infundadas de fraudes, conspirações e manipulação tecnológica contra as instituições eleitorais do próprio país.
R etórica do golpe e o ataque colérico no X Em uma série de publicações ostensivas e repletas de pânico no X (antigo Twitter), Netanyahu atacou frontalmente o Comitê Central Eleitoral, a polícia e o serviço de inteligência interno (Shin Bet).
O premiê acusou as legendas árabes de orquestrarem uma suposta operação criminosa para tomar as urnas, evidenciando seu desespero ao ver o poder escorrer pelas mãos: “ As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judaico por meio de crimes penais graves de suborno, ameaças, violência, falsificações e uso de softwares proibidos para mobilização de eleitores. ” — Benjamin Netanyahu , em publicação no X.
A manobra discursiva e o descontrole verborrágico continuaram quando o líder extremista tentou pressionar os órgãos de segurança pública e de inteligência a intervir no resultado apurado pelas urnas: “ O Partido Likud está enviando à polícia, ao Shin Bet e ao Comitê Central Eleitoral centenas de testemunhos e evidências de roubo de eleições em muitas seções eleitorais árabes — milhares de envelopes com dinheiro em espécie e votos da Ra’am, ameaças e violência contra membros das seções eleitorais, múltiplos eleitores atrás do biombo, votações em dupla identidade (…).
Isso é um ataque grave à democracia israelense e ao direito de voto dos cidadãos de Israel.
Os órgãos de aplicação da lei devem agir com mão de ferro e de forma imediata. ” — Benjamin Netanyahu , ao acusar fraude sem provas no X.
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