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Clínica de fertilidade falida. Ex-gerente quer resgatar negócio e acudir a pacientes. “Lei tem de mudar”, diz

Diário de Notícias ·
Clínica de fertilidade falida. Ex-gerente quer resgatar negócio e acudir a pacientes. “Lei tem de mudar”, diz

"O que acontece ao vosso esperma, óvulos e embriões quando é declarada a insolvência de uma clínica de fertilidade? O colapso da Ovom Care levanta questões difíceis que o setor não pode ignorar.

Os pacientes não são credores normais.

Embriões não são bens como os outros.

A responsabilidade clínica não deve desaparecer quando um negócio falha.

O capital de risco pode transformer os tratamentos de fertilidade.

Mas, sem liderança clínica experimentada, governança responsável e a colocação dos pacientes em primeiro lugar, são estes que acabam por correr todos os riscos.

Isto não é ético .” Estas palavras são da embriologista britânica e brasileira Cristina Hickman em reação no Linkedin , esta segunda-feira, à notícia do DN sobre a insolvência, declarada por sentença de tribunal, da clínica de fertilidade Ovom Care, sediada em Cascais, e que com o seu encerramento abrupto, sem qualquer aviso prévio (aviso que por lei é obrigatório e deve ocorrer seis meses antes do fecho) deixou um número indeterminado de pacientes, sobretudo britânicas, em desespero, sem terem qualquer ideia de como vão poder continuar tratamentos que já pagaram na totalidade e de quando e como lhes serão acessíveis os materiais biológicos (embriões e gâmetas) armazenados na clínica, e cujo armazenamento também foi pago adiantado.

“Isto nunca devia ter acontecido, nem devia poder suceder”, diz ao DN esta especialista, que, com mais de 20 anos de experiência no setor da fertilidade, foi co-fundadora da empresa-mãe alemã - a Ovom Care Gmbh - da clínica portuguesa, tendo sido também gestora desta última em 2024, saindo em novembro desse ano em conflito com a administração, que acabou por acionar judicialmente na Alemanha.

Clínica de fertilidade em Cascais abre falência.

Pacientes em desespero “A empresa-mãe também já abriu ou vai abrir falência, assim como, decerto, as empresas pessoais das duas gestoras” - Hickman refere-se à financeira alemã Felicia Von Reden e à norte-americana, que se apresenta como obstetra, ginecologista e embriologista, Lynae Brayboy , as quais com ela fundaram a Ovom Care -, “pelo que o meu processo contra eles vai terminar.

Mas a responsabilidade não pode desaparecer assim - muito menos em relação às pacientes da clínica.

Até porque isto não foi uma surpresa para a gerência.

Há dois anos, já sabiam que o dinheiro ia acabar; havia 4,8 milhões de euros à partida e o planeamento financeiro tornava claro que só dava para dois anos.

Só que a forma como esta empresa estava a ser gerida não tem em atenção os pacientes; é gerida com mentalidade de capital de risco.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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