Juros dos EUA a dez anos em 6%? É “perfeitamente possível”, prevê especialista
A subida recente dos juros da dívida soberana nos EUA arrisca levar o indicador à casa dos 6% pela primeira vez desde 2000, alerta o chefe de investimentos da Pimco em entrevista com o ‘Financial Times’ (FT).
Este é um cenário “possível”, considera, e que pode ser acelerado pela reversão de posições já não rentáveis.
Dan Ivascyn, CIO da Pimco, vê nova subida dos juros soberanos como “seguramente possível”, isto numa altura em que as yields dos títulos a dez anos do Tesouro dos EUA permanecem próximas dos máximos de 2002 atingidos na última semana.
O título de referência do mercado de bonds negoceia atualmente em 5,25%, isto depois de ter chegado a 5,34% nos dias anteriores.
Caso se materialize tal cenário de nova subida acentuada das yields, vários investidores de peso, como fundos de investimento, poderão ver-se inclinados a reverter posições que deixem de ser rentáveis, o que aceleraria a tendência de venda no mercado e, em consequência, o sell-off global das obrigações soberanas.
“Muita da atividade que temos visto nas últimas semanas já está ligada a princípios técnicos negativos, alguma atividade de contenção de fundos de investimento e outros investidores alavancados”, explicou ao FT.
Como tal, “podemos certamente chegar” a uma situação de maior tensão.
Mas os problemas não se limitariam ao mercado de obrigações.
Na eventualidade de um disparo mais agravado nos juros soberanos, vários indicadores financeiros subiriam em linha, desde hipotecas aos empréstimos contraídos pelo sector empresarial não-financeiro, apertando significativamente as condições de financiamento da economia.
Para ativos com maior risco, como ações, o cenário não seria muito distinto, continua.
Níveis sustentadamente acima de 5,5% já colocariam sob pressão estas classes de ativos, alerta.
Desde 2000 que os juros da dívida norte-americana a dez anos não chegam a 6%.
Na altura, a bolha ‘dot-com’, que viria a rebentar meses depois e a despoletar uma recessão na maior economia do mundo, havia levado os índices bolsistas, sobretudo o tecnológico Nasdaq, a máximos históricos antes de uma subida das taxas de referência pela Reserva Federal ter levado os mercados a aperceberem-se da inviabilidade financeira de boa parte das cotadas.
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