Já há acordo para mexer nas entidades que fiscalizam os mercados da União Europeia
Os 27 Estados-membros da União Europeia (UE) acordaram os elementos centrais da posição negociadora para o pacote que quer aprofundar os mercados de capitais europeus , de acordo com um comunicado do Conselho da União Europeia publicado esta sexta-feira.
A medida mais relevante é a transferência da supervisão das maiores plataformas de negociação transfronteiras e das principais entidades de pós-negociação, hoje nas mãos das autoridades nacionais, para a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA).
O pacote, conhecido por MISP , responde a um problema que o Conselho quantifica: cerca de dez biliões de euros de poupanças das famílias da UE estão em depósitos bancários de baixo rendimento , em vez de aplicados nos mercados de capitais, onde o retorno potencial poderia ser superior.
O pacote é a peça central da União de Poupança e Investimento ( UPI ) da U E, que “visa melhorar a forma como o sistema financeiro da UE canaliza as poupanças para investimentos produtivos, criando oportunidades financeiras para cidadãos e empresas”, destaca o Conselho.
O objetivo da União Europeia é reduzir custos de conformidade e criar mercados mais integrados e eficientes, em que cidadãos e empresas tenham acesso mais fácil ao investimento.
Além disso, pretende mudar o panorama dos mercados financeiros europeus , que continuam fragmentados por fronteiras nacionais, o que gera incerteza jurídica e custos adicionais para as empresas que operam em vários países.
“A Europa tem as poupanças.
Agora é altura de as pôr a trabalhar” , afirmou Simon Harris, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças da Irlanda, em comunicado, que considera o acordo “um passo importante para uma união da poupança e dos investimentos mais profunda”.
Além da supervisão única, o texto cria um estatuto voluntário de operador de mercado pan-europeu , que permite a uma plataforma explorar vários mercados na UE com uma só licença – só os prestadores de serviços de criptoativos mais significativos ficam sujeitos de imediato à ESMA.
Para as gestoras de ativos, o “passaporte de depositário” permite que um fundo nomeie um depositário noutro Estado-membro , o que pode aumentar a concorrência e a escolha, mas será opcional para os países.
O Conselho também alarga o regime-piloto de testes para ativos digitais.
O comunicado não refere efeitos diretos nem prazos de aplicação em Portugal.
Ainda assim, o objetivo declarado é reduzir custos de conformidade e criar mercados mais integrados e eficientes , em que cidadãos e empresas tenham acesso mais fácil ao investimento.
O Conselho vai agora finalizar a posição, antes da adoção formal.
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