Aluno em Cabul leva projétil não detonado: Explosão fez 42 feridos
O secretário do distrito policial de Cabul, capital do Afeganistão, onde ocorreu o incidente, o 'mullah' Zabihullah Abo Obaida, assegurou à agência de notícias espanhola EFE que o artefacto tinha sido levado na segunda-feira para o estabelecimento de ensino de Shahrak-e Mahdia por um aluno, afastando a hipótese de um ataque contra a minoria étnica hazara, que habita maioritariamente nesta zona.
"O artefacto explosivo, que era um projétil antigo não detonado, foi levado para a escola por um aluno chamado Mohammad Ali, que posteriormente provocou a sua detonação" , afirmou.
A polícia indicou que, de acordo com os dados recolhidos nos hospitais, 42 alunos ficaram feridos e todos se encontram em estado estável. As primeiras informações médicas relativas ao incidente classificavam os ferimentos como leves.
O hospital da Emergency, uma organização médica internacional presente no Afeganistão desde 1999 e cujo centro cirúrgico em Cabul recebe habitualmente vítimas de explosões e ataques devido à sua especialização em traumatologia e cirurgia de guerra, informou que prestou assistência a 35 crianças, todas com idades compreendidas entre os 10 e os 14 anos.
Todos apresentavam ferimentos causados por estilhaços e pelo menos três precisaram de ser operados, segundo a organização, que ativou o seu protocolo para incidentes com múltiplas vítimas.
As primeiras informações fornecidas na segunda-feira pelo porta-voz da polícia de Cabul, Khalid Zadran, tinham indicado apenas que uma granada de mão explodiu por volta das 17 horas locais (12h30 em Lisboa), numa escola do Distrito Policial 18, sem especificar como ocorreu a detonação.
O relator especial das Nações Unidas para o Afeganistão, Richard Bennett, qualificou hoje o incidente como um "ataque atroz" e exigiu uma investigação "completa e independente" , recordando que Dasht-e Barchi, zona de maioria hazara a oeste de Cabul, tem sido alvo repetido de atentados.
A delegação da União Europeia no Afeganistão manifestou igualmente a sua preocupação com a explosão e transmitiu os seus votos de recuperação aos feridos, ao mesmo tempo que recordou que as escolas devem ser locais seguros e que "os ataques deliberados contra crianças e estabelecimentos de ensino são inaceitáveis".
No entanto, a versão oficial sustenta que a explosão se deveu a um acidente com resíduos explosivos de guerras passadas, um perigo ainda generalizado no Afeganistão após décadas de conflito e que afeta especialmente os menores que encontram ou manuseiam projéteis e outros artefactos não detonados.
Um porta-voz da Missão da ONU no Afeganistão (UNAMA) referiu à agência de notícias France-Presse (AFP) que ainda não foram confirmadas as circunstâncias da explosão.
O responsável referiu a existência de "relatos contraditórios" que não permitem determinar claramente se se trata de um ataque ou de um acidente relacionado com a explosão de munições das guerras que assolaram o Afeganistão durante décadas.
Estas minas e outros resíduos explosivos abandonados causam regularmente acidentes mortais.
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