Especialistas consideram "normais sismos" sentidos em Granada
N o final da série sísmica, os especialistas vão esclarecer se os abalos em Granada, no sul de Espanha, estão relacionados com uma única falha ou com várias, explicou a responsável pela prevenção e risco sísmico do Instituto Andaluz de Geofísica, Mercedes Feriche.
Após os sismos do fim de semana, que tiveram o expoente máximo num de magnitude 5 e com epicentro no município granadino de Alhendín, Granada e a área metropolitana voltaram a tremer hoje.
Vários sismos, sete deles de magnitude até 4,8 concentrados em pouco mais de uma hora, causaram menos três feridos ligeiros, derrocadas nas ruas e evacuação preventiva de imóveis e de complexos, como a Alhambra.
Ferriche disse à agência espanhola EFE que a comunidade científica não está alarmada por se tratar de sismos que, de um modo ou de outro, eram esperados em Granada, situada a mais de 500 quilómetros em linha reta de Lisboa.
O final da série sísmica pode ocorrer em semanas ou meses, e será então que se poderá analisar por completo com os grandes e pequenos eventos que a compõem, e de acordo com os protocolos estabelecidos, referiu.
Quanto aos danos, disse que se desprenderam elementos de edifícios que não foram fixados à estrutura após os sismos do fim de semana ou que foram fixados de forma insuficiente.
Mas os edifícios estão a comportar-se "como deveriam", deformando-se para dissipar energia, assinalou.
Feriche pediu para não se ignorar que Granada está numa zona de risco e isso deve ser tido em conta em questões como a construção ou a organização das habitações.
Uma equipa interdisciplinar liderada pela Universidade de Granada demonstrou que a série sísmica que afetou a Vega de Granada em 2021 não foi de maior magnitude porque os sismos estiveram confinados por falhas próximas.
Essa circunstância impediu que a sismicidade da série se propagasse a outras zonas e limitou a 4,5 as magnitudes máximas.
A conclusão baseou-se num trabalho científico realizado meses após o fim da série.
Feriche acrescentou que os especialistas não podem ter uma "bola de cristal" ou "visão de raios X" para saber o que está a acontecer no interior da Terra.
Também o geólogo Manuel Regueiro considerou "totalmente normais" os sismos de Granada por a região estar situada numa zona com falhas ativas, embora alguns dos abalos tenham sido "um pouco maiores do que o habitual".
Regueiro, ex-presidente do Ilustre Colégio Oficial de Geólogos (ICOG), explicou à EFE que estes sismos "ocorrem há centenas de milhares de anos" e "não são para assustar muito".
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