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Pedro Passos Coelho fez o que sabe melhor: falar como quem não tem nada a perder

SAPO24 ·

Tem graça quando alguém diz que não quer voltar à política e depois passa cinquenta minutos a explicar em que circunstâncias poderá regressar.

Não é uma contradição, é talvez a maneira mais portuguesa de deixar a porta entreaberta sem o risco de ficar do lado de fora com uma corrente de ar.

Pedro Passos Coelho sentou-se à frente de Maria João Avillez, na SIC Notícias, e fez o que sabe fazer melhor: falar como quem não tem nada a perder.

Criticou o governo pela falta de reformas e pela degradação dos serviços públicos, mostrou um país bloqueado e dois anos de oportunidades perdidas.

Mas alguém o pode censurar? O preço das casas aumentou 180% entre 2015 e o final de 2025.

O cabaz alimentar subiu 38,8%.

O número de utentes sem médico de família cresceu 49,7%.

Isto são factos, não são intenções.

“Não governamos o país na base das birras”, diz Luís Montenegro.

Que é o mestre das birras.

Basta lembrar que transformou um conflito sobre escrutínio político (caso Spinumviva) num braço-de-ferro parlamentar que acabou por fazer cair o governo — e gastou tempo precioso.

A ironia é que o primeiro-ministro usa a palavra birra para descrever o comportamento dos outros, mas e quando defende um princípio claro, também está a fazer birra? Se a atitude de Passos Coelho é de independência ou de calculismo, isso depende, em boa medida, de quem está a ouvir.

Mas, nostalgias ou ressentimentos à parte, o diagnóstico é coerente: o Estado perdeu realmente capacidade para reformar estruturas como o Serviço Nacional de Saúde e o governo limita-se a distribuir pequenas vantagens imediatas em vez de utilizar a margem financeira para fazer mudanças de longo prazo.

Esta é a cronologia do embaraço: em Outubro de 2022, Luís Montenegro criticava o PS, um “governo avesso ao reformismo”, e garantia que Portugal precisava do PSD “para encetar as reformas necessárias”.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.

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