Crescimento ou Desenvolvimento?
A economia portuguesa cresce, a produtividade avança, mas o salário médio real teima em não acompanhar.
Não estamos perante um acaso estatístico nem uma conspiração patronal.
Entre 2013 e 2022, o ganho médio real dos trabalhadores portugueses subiu apenas 10,6% , ao passo que a produtividade real progrediu 18,7% — gerando um fosso distributivo de 8,1 pontos percentuais.
No setor do alojamento e na restauração, este desfasamento atinge 35 pontos percentuais.
A interrogação que o país teima em não encarar não é se a economia cresce, mas sim para onde se dirige esse crescimento.
Para responder, importa reconhecer a coexistência de dois Portugais sobrepostos.
Um deles, exposto e minoritário, compete quotidianamente no mercado global, sendo constrangido, para garantir a sua sobrevivência, a gerar ganhos contínuos de produtividade.
O outro, protegido e maioritário — comércio de proximidade, restauração e imobiliário —, está imune à concorrência externa e subsiste graças às rendas que a ausência de concorrência lhe permite extrair.
O primeiro gera as divisas; o segundo reparte-as.
É na fronteira entre estes dois blocos que se decide a valorização do trabalho.
Este descolamento entre produtividade e salários não constitui uma idiossincrasia portuguesa, reflete uma tendência global das últimas quatro décadas de decréscimo da quota-parte dos salários no rendimento nacional.
Portugal exibe, com particular acuidade, uma patologia global comum.
Isto significa que as suas causas derivam de mecanismos económicos identificáveis e, por definição, corrigíveis.
Reside aí a boa notícia oculta no diagnóstico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.