Guterres despede-se da Assembleia-Geral da ONU com recado para as superpotências: “O vosso poder não é assim tão super”
“As divisões geopolíticas aprofundaram-se e as desigualdades intensificaram-se”, afirmou António Guterres durante o último discurso enquanto secretário-geral da ONU numa Assembleia-Geral.
Guterres garantiu que é necessário “dizer basta” e parar os combates e apelou ao diálogo entre os líderes presentes na Assembleia-Geral: “Aproveitem esta semana para desescalar, dialogar”.
Além de apelar ao fim dos combates, Guterres pediu a fluidez da ajuda humanitária e a restauração dos direitos e liberdades, em conformidade com o Direito Internacional.
“Faz quase três anos desde os ataques terroristas aberrantes do Hamas a 7 de outubro, mas o que se seguiu foi um ataque aos palestinianos em Gaza numa escala de morte e destruição que eu nunca tinha visto nos meus anos enquanto secretário-geral”, afirmou durante o discurso.
Lembrou também a invasão da Rússia na Ucrânia, que “sujeitou um país soberano a uma guerra brutal”, onde “civis continuam a ser assassinados fora das linhas da frente”.
“O primeiro grande teste às grandes potências no século XXI é a paz e a segurança”, afirmou Guterres, garantindo que “a paz é muito mais do que a ausência de conflito”.
O secretário-geral da ONU considerou que a existência de paz passa haver um poder controlado pelo direito e, tal como consagrado na Carta das Nações Unidas, pelo reconhecimento de que a força não pode ser o “árbitro final”.
O líder das Nações Unidas deixou um recado às superpotências: “O vosso poder não é assim tão super, esse poder tem limites”.
Para o secretário-geral da ONU, o poder está a ser reformatado de três formas diferentes: entre os Estados, com a transferência de poderes dos Estados para empresas privadas e com os humanos cada vez mais ligados às máquinas.
“Ainda assim, as nossas instituições e governos continuam a refletir as realidades de poder e interesses de uma era que praticamente está ultrapassada”, alertou Guterres.
Mundo vive crise com vários capítulos Para António Guterres, a crise climática passou de uma “coisa distante” a uma “realidade diária”.
Além disto, considerou que o ritmo dos avanços da Inteligência Artificial (IA) pode criar problemas até para os que a criaram.
O mundo vive uma “crise” e não uma crise é “separada”.
“Isto não são crises separadas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.