Pedro Duarte lamenta carga policial no Porto, mas diz que PSP foi “forçada a intervir”
“Eu lamento profundamente que a polícia se tenha visto forçada a intervir daquela forma.
Acho que não há nenhum portuense que se reveja naquelas imagens ou que goste daquelas imagens”, afirmou o autarca, em declarações aos jornalistas.
Pedro Duarte disse não ter dúvidas de que a polícia foi obrigada a intervir, mas ressalvou que não lhe cabe discutir a operação policial.
“Eu confio absolutamente nas nossas autoridades policiais”, declarou, defendendo que alguns manifestantes estavam a incumprir a lei de forma “ostensiva” e “deliberada”.
Segundo o presidente da câmara, a intervenção policial terá sido o “último recurso”, depois de vários dias de uma atuação diferente.
O autarca apontou ainda para a existência de atitudes que considerou provocatórias, reiterando que o problema está no incumprimento das regras aplicáveis ao direito de manifestação.
“Uma coisa é o direito à manifestação, o direito até ao protesto, outra bastante distinta é o desrespeito e o incumprimento”, afirmou.
O autarca sublinhou que cabe às autoridades garantir o cumprimento da lei, considerando que essa obrigação é essencial para proteger a liberdade de todos e o funcionamento da democracia.
Câmara reconhece legitimidade da causa da habitação Pedro Duarte frisou que o Porto se orgulha de ser “a cidade da liberdade”, onde o direito à manifestação, à livre expressão e ao protesto é “absolutamente inegociável”.
O autarca reconheceu igualmente a legitimidade das reivindicações dos manifestantes, salientando que a crise da habitação afeta o país e a Europa, com impacto no acesso à habitação também no Porto, devido aos preços praticados.
Apesar de considerar que o município é “de longe” o que dispõe de mais respostas públicas para a crise da habitação, admitiu que continua a haver trabalho a fazer.
Nesse sentido, referiu a habitação social, na qual já reside 13% da população do Porto, e as respostas de habitação acessível, dirigidas sobretudo à classe média que vive na cidade ou pretende instalar-se no município.
O presidente da câmara deixou ainda um apelo a quem pretenda manifestar-se: “A cidade do Porto é um espaço para isso mesmo.
Mas deixo este apelo para que o façam no estrito cumprimento da lei.” Para Pedro Duarte, o respeito pelas regras permite conciliar o direito ao protesto com a necessidade de a restante cidade continuar a funcionar no dia a dia.
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