Com a minha idade, ainda vale a pena?
Chamemos-lhe António.
Tem 82 anos.
Não existe exatamente — ou, melhor, existe em muitos dos doentes que se sentam à minha frente.
Até há poucos meses, conduzia todos os dias e fazia as compras com a mulher, com quem vive de forma independente.
Agora para ao fim de cem metros, inclinado sobre o carrinho do supermercado, à espera de que a dor nas pernas lhe dê tréguas.
Começou a perguntar-se não apenas se voltará a andar como antes, mas se os dois conseguirão continuar a viver sozinhos.
A ressonância mostra uma estenose lombar.
Antes de chegar à minha consulta, já ouviu a frase: “na sua idade, é melhor não mexer”.
E então pergunta-me: “Doutor, com a minha idade, ainda vale a pena?” Não sei ainda se António precisa de uma cirurgia.
Para decidir isso, preciso de saber muito mais do que mostra a ressonância.
Mas há uma coisa que sei antes de o examinar: 82 anos não são um diagnóstico.
A medicina sempre gostou da idade.
É objetiva, está disponível e cabe facilmente num algoritmo.
Em populações, é útil: à medida que envelhecemos, aumentam a fragilidade, a doença e o risco de complicações.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornalmedico.pt — o conteúdo pertence a Jornal Médico.