Maria da Graça Carvalho, a ministra que traz cadernos debaixo do braço e cinema nos cabelos
Retrato é uma rubrica do ECO na qual, durante o mês de agosto, é publicado diariamente o perfil de uma personalidade que se distinguiu no último ano, em Portugal Seja qual for o compromisso, Maria da Graça Carvalho geralmente chega “acompanhada”: traz debaixo do braço pastas, dossiers , papéis.
Foi assim que, na década de 2000, quando a universidade era a sua casa, se apresentou ao então primeiro-ministro, José Manuel Durão Barroso – a figura que lhe abriu a porta aos longos anos de vida política que ainda correm.
O aumento das propinas e a demissão do ministro da Ciência e Ensino Superior ditaram um início de século agitado na academia.
Foi neste contexto que o reitor do Instituto Superior Técnico, Diamantino Durão, tio do então primeiro-ministro, recomendou que este consultasse Maria da Graça Carvalho sobre os temas quentes.
Encontraram-se, e a professora catedrática partilhou as suas ideias.
Defendia “uma forte ação social”, diz.
Maria da Graça Carvalho, Ministra do Ambiente e Energia, à chegada para uma reunião do Conselho de Ministros Hugo Amaral/ECO A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, antes da apresentação dos resultados da fiscalização aos acessos às praias entre Tróia e Melides, na costa de Grândola, no distrito de Setúbal, no Ministério Ambiente e Energia em Lisboa, a 9 de julho de 2025.
FILIPE AMORIM/LUSA FILIPE AMORIM/LUSA A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, durante a apresentação de proposta do Plano Nacional do Restauro da Natureza (PNRN), no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, a 2 de junho de 2026.
O plano estabelece prioridades de intervenção em ecossistemas terrestres, marinhos, agrícolas, florestais, ripícolas e urbanos, definindo medidas concretas e indicadores de monitorização para acelerar a recuperação dos habitats degradados.
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA Hugo Amaral/ECO Maria da Graça Carvalho e Teresa Ribera 1 / 5 O último pedido que recebeu nesse dia foi que indicasse alguém com perfil para assumir a pasta que havia ficado sem dono no Governo.
“Não escolha um académico, nunca um académico!”, é o conselho que Maria da Graça Carvalho se lembra de ter dado , já que achava necessário “um político experimentadíssimo”.
Não foi essa a decisão do primeiro-ministro: “No dia seguinte, convidou-me”, conta a agora ministra do Ambiente e Energia, que na altura aceitou ficar responsável pela Ciência e Ensino Superior.
Havia na altura um debate sobre energia nuclear em Portugal, queriam construir uma central nuclear.
Ficava fascinada com aquilo.
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