EUA: analistas preveem turbulência no mercado de títulos do Tesouro em setembro
O Departamento do Tesouro surpreendeu os mercados esta quarta-feira, 19 de agosto, ao anunciar planos para expandir, já no próximo mês, um programa de recompra de dívida pública norte-americana, iniciado em 2024 pela ex-secretária do Tesouro Janet Yellen, que trouxe algum alívio ao mercado.
No entanto, em setembro, notam os analistas do site Market Watch, espera-se que os investidores em empréstimos corporativos, que já estão a pressionar o mercado com uma enorme oferta de novos títulos para financiar a expansão da inteligência artificial, intensifiquem ainda mais essa pressão.
Isso ocorrerá justamente quando o Tesouro começar a aliviar o mercado por via do aumento das recompras de títulos do governo de longo prazo.
“O período após o Dia do Trabalho (primeira segunda-feira de setembro) e o regresso às aulas é tradicionalmente uma época movimentada nos mercados primários de títulos corporativos de grau investimento nos Estados Unidos”, disse Nicholas Elfner, da Breckinridge Capital Advisors, citado pelo Market Watch.
“É possível que haja uma emissão de 200 mil milhões de dólares em setembro, embora dependa de um delicado equilíbrio entre oferta e procura”, observou.
A alta nas taxas de juros dos títulos do Tesouro — um ponto de partida para a precificação de empréstimos e novos títulos corporativos — significa um aumento nos custos de financiamento para empresas, famílias e governo federal.
O lado bom – num equilíbrio que um dos grandes ‘quebra-cabeças’ dos economistas há décadas – é que a alta ajuda a incentivar os investidores a continuarem a participar em novas emissões de títulos dos EUA, ou seja, levando-os a manter os seus ativos financeiros nos Estados Unidos, em vez de irem à procura de outras geografias.
A emissão de títulos corporativos de grau de investimento nos EUA já aumentou 38% em 2026 em comparação com o ano anterior, refere o site.
A consultora BofA Global, prevê um recorde de 2,1 mil milhões de dólares em ofertas para todo o ano de 2026.
Uma parcela significativa será emitida nas próximas semanas, o que pode agravar os problemas no mercado de títulos do Tesouro, onde o apetite por títulos de longo prazo tem sido fraco.
Isso deve-se a preocupações com a crescente dívida dos Estados Unidos e com o défice orçamental federal – que a administração Trump aumenta sem olhar ‘ao amanhã’ – e à incerteza sobre como o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, planeia conter a inflação.
Elevará as taxas de juro? “O facto de os rendimentos dos títulos do Tesouro estarem em alta torna a dívida mais atraente”, disse Andrzej Skiba, da RBC Global Asset Management.
Mas a quantidade gigantesca de dívida relacionada com IA emitida este ano também “dá a impressão de que estão a atingir um limite do que é possível sem perturbar o mercado”.
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