A importância da gestão e dos modelos de governação
Não há desenvolvimento económico sem a transformação e a metamorfose permanente das organizações.
A riqueza das nações nasce no seio das empresas, dependendo da forma como estas combinam recursos, gerem pessoas e estruturam as suas decisões estratégicas.
A evidência empírica disponível mostra que a qualidade das práticas de gestão está robustamente associada ao desempenho económico das empresas — e, nos estudos experimentais, que essa relação é causal.
Mas mostra também que essa qualidade não é uma propriedade do indivíduo que dirige: é uma propriedade do sistema que o enquadra.
A narrativa dominante do debate económico e empresarial contemporâneo tendeu a glorificar a figura do gestor individual como um demiurgo providencial.
Na imprensa de negócios, no discurso político e em parte substancial da literatura hagiográfica de liderança, a trajectória de sucesso ou o colapso de uma organização é sistematicamente atribuído às virtudes morais, à intuição genial ou às deficiências cognitivas da pessoa que ocupa o topo da pirâmide executiva.
Esta visão heroica do ‘gestor estrela’ oferece um enredo sedutor e simplificador, mas padece de uma profunda insustentabilidade teórica e empírica.
Quando analisamos o tecido produtivo de um país ou de um território regional, o problema central é o seguinte: observam-se disparidades massivas e persistentes de produtividade entre empresas que operam exactamente no mesmo sector industrial, utilizando tecnologias semelhantes e defrontando as mesmas condições de mercado.
Durante décadas, a teoria microeconómica neoclássica tendeu a tratar a gestão como uma ‘caixa-negra’ desprovida de espessura analítica ou como um mero problema de ineficiência-X (X-inefficiency, na formulação de Harvey Leibenstein) sem impacto no equilíbrio geral.
Contrariando esta simplificação, importa estabelecer duas premissas estruturantes, precedidas de uma distinção terminológica que percorre todo o argumento: por gestão entende-se aqui um conjunto de práticas organizacionais formais — uma tecnologia de processo incorporada na empresa; por gestor entende-se o agente individual que ocupa a função executiva.
As duas coisas não se confundem, e é precisamente na sua não-coincidência que reside a tese deste texto.
Em primeiro lugar , as práticas de gestão das empresas e das organizações que operam num determinado território condicionam o ritmo de crescimento da produtividade agregada, explicam parte substancial das diferenças da Produtividade Total dos Factores (TFP) entre nações e limitam a capacidade de convergência real desse território.
São, nesse sentido, uma condição necessária do desenvolvimento.
Em segundo lugar, a qualidade do gestor individual conta, mas não é condição suficiente do sucesso organizacional nem do desenvolvimento económico.
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