El Niño pode influenciar o inverno em Portugal, mas efeitos continuam incertos
O El Niño poderá tornar-se um dos mais fortes desde 1950, mas isso não significa que Portugal venha necessariamente a enfrentar um inverno mais quente, mais seco ou mais chuvoso.
Apesar da influência do fenómeno nos padrões climáticos mundiais, os seus efeitos na Península Ibérica são indiretos e difíceis de prever.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) considera que a ligação entre o El Niño e as condições meteorológicas em Portugal é relativamente fraca, sobretudo quando comparada com a influência observada em regiões como a América do Sul ou a Austrália.
O fenómeno deverá atingir o pico em dezembro de 2026 e manter-se ativo durante os primeiros meses de 2027, segundo as previsões internacionais.
Contudo, a intensidade excecional prevista para o Pacífico não permite antecipar, isoladamente, o comportamento do inverno português.
O El Niño desenvolve-se no Pacífico tropical, onde o aquecimento anormal das águas superficiais modifica a circulação atmosférica.
As alterações são particularmente relevantes em regiões próximas daquele oceano, mas podem propagar-se a outras partes do planeta através de mudanças nos padrões de circulação do ar.
Na Europa, essa influência é menos direta.
A distância geográfica, a presença do oceano Atlântico e a interação entre diferentes sistemas atmosféricos tornam mais difícil identificar uma relação consistente entre o El Niño e as condições meteorológicas locais.
Em Portugal, o comportamento da precipitação e da temperatura depende fortemente da circulação atmosférica na região euroatlântica.
É por isso que um episódio muito intenso no Pacífico não significa necessariamente um impacto igualmente intenso no território nacional.
Um dos fatores mais importantes para o clima português durante o inverno é a Oscilação do Atlântico Norte, conhecida pela sigla NAO.
Este padrão atmosférico está relacionado com as diferenças de pressão entre a região do anticiclone dos Açores e a depressão da Islândia.
Quando a NAO se encontra numa fase positiva, a circulação atmosférica tende a favorecer a passagem das principais depressões por latitudes mais elevadas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.