Brasil precisa debater com farmacêuticas formas de baratear canetas emagrecedoras, diz Bruno Halpern
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O endocrinologista Bruno Halpern, 43, presidente da Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation), é crítico ao falar sobre o tratamento da obesidade no SUS (Sistema Único de Saúde). As opções são restritas, e o acesso, difícil, ele diz.
Diante do uso crescente de canetas emagrecedoras e dos bons resultados de alguns desses medicamentos, ele afirma que é urgente uma discussão séria sobre maneiras de ampliar o acesso. "Isso inclui discutir com as indústrias farmacêuticas formas de o custo ser reduzido", diz, em entrevista à Folha .
Halpern afirma, contudo, que oferecer medicamento não deve ser a única medida. É necessário ter médicos que saibam prescrevê-lo, acompanhem os pacientes no longo prazo e avaliem efeitos colaterais e a eficácia.
O especialista assumiu a presidência da federação no último dia 17 de julho, em sucessão ao pesquisador mexicano Simón Barquera. À frente da entidade, diz querer levar educação em saúde a mais profissionais. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.
Abrir o mercado para laboratórios internacionais, com a anuência da Anvisa, democratizaria o tratamento da obesidade no Brasil?
Toda inovação científica, no início, não chega para todos. O custo de produção de um medicamento novo que seja eficaz é alto. Isso não aconteceu somente com os remédios para obesidade, mas [aconteceu também com medicamentos] para hipertensão e as estatinas .
Quando falamos em obesidade, há um desejo individual maior de tratar. As pessoas escutaram a vida inteira que podiam comer menos e se exercitar mais. Tentaram e não conseguiram. Quando surge uma opção, querem imediatamente. O lado bom é que já existem medicações boas. É o caso das produzidas com semaglutida , cuja patente expirou.
Abrir mercado para produtos não registrados não é o caminho que devemos seguir. A lei da patente do Paraguai difere da do Brasil. A Anvisa é uma referência mundial em agência regulatória.
O que ocorre não é a democratização, mas o uso desordenado de medicamentos sem controle de segurança, inclusive com contrabando , que é crime. Não será pegando traficante na fronteira que vamos resolver o problema, mas, sim, se tivermos uma discussão séria na sociedade, do que nós podemos conseguir para ter mais acesso. Isso inclui discutir com as indústrias farmacêuticas formas de o custo ser reduzido e alternativas de maior acesso.
Eu acho que a Anvisa está trabalhando para ter regras mais claras e evitar brechas que levem à insegurança jurídica. Mas a situação está fora de controle, sim.
O assunto é importante e pede urgência em uma conversa mais franca entre a Anvisa, as sociedades médicas, o Ministério da Saúde , a Conitec [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS] e as indústrias farmacêuticas para que todos trabalhem em conjunto e encontrem soluções. Do jeito que está não pode ficar.
Como ajudar o paciente com indicação para uso de canetas emagrecedoras que não tem condições financeiras para o tratamento?
Se tivermos esses medicamentos no SUS, inicialmente, será para uma população prioritária, com algumas indicações.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.