Remédios e produtos de limpeza escondem riscos para crianças dentro de casa
Um comprimido deixado sobre a mesa ou um produto de limpeza guardado em uma garrafa de refrigerante pode colocar uma criança em risco.
A intoxicação por medicamentos e produtos químicos está entre os acidentes domésticos que exigem atendimento médico, mas algumas atitudes tomadas pelos adultos na tentativa de ajudar podem agravar a situação.
Dados da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), com base em registros do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), mostram que o Brasil registrou 177.766 casos de intoxicação aguda em 2022.
Desse total, cerca de 58 mil, ou 32,6%, envolveram crianças e adolescentes de até 19 anos.
Os medicamentos foram responsáveis por 63,8% das intoxicações nessa faixa etária, seguidos pelos produtos de limpeza e outros agentes químicos, com 7,2% dos registros.
O problema também aparece nas internações hospitalares.
Segundo levantamento da Abramede (Associação Brasileira de Medicina de Emergência), o SUS (Sistema Único de Saúde) registrou 45.511 internações por envenenamento entre 2015 e 2024, média de uma ocorrência a cada duas horas.
Crianças de 1 a 4 anos representaram 7.204 dessas internações.
O que não fazer - Para Denis Corrêa, da CoreHelp, instituição de Mato Grosso do Sul especializada em treinamento para atendimentos de urgência e emergência, um dos principais erros é tentar resolver a intoxicação com medidas caseiras.
“Quando uma criança ingere um medicamento ou produto químico, muitos adultos tentam provocar o vômito ou oferecer leite e água.
Mas essas atitudes podem agravar a intoxicação.
O mais importante é buscar orientação especializada imediatamente, mesmo que a criança não apresente sintomas.
Saber o que não fazer também pode salvar vidas”, explica.
Provocar o vômito pode ser especialmente perigoso quando a criança ingere uma substância corrosiva, porque o produto pode causar novas queimaduras ao passar novamente pelo esôfago, além de atingir os pulmões.
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