Em Michigan, disputa ao Senado expõe racha democrata sobre Israel
Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades
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Confesso que nunca esperei ver uma eleição americana em que a escolha de candidatos em mais do que alguns distritos será entre um socialista democrático e um monarquista republicano —mas, se você viver o bastante, verá de tudo.
Ao ouvir esses socialistas democráticos e republicanos do tipo "Trump rei, certo ou errado", não paro de pensar em uma das minhas falas favoritas do cinema .
Ela é do filme de 1997 "Melhor É Impossível", no qual Jack Nicholson , no papel de um escritor misantropo, abre a porta e encontra uma vizinha pedindo que ele leve um cachorro para passear e dando um conselho animado sobre abrir as cortinas para contemplar "a bela obra de Deus".
Nicholson diz a ela: "Onde ensinam vocês a falar assim?". E acrescenta: "Vá vender loucura em outro lugar. Aqui já estamos com o estoque cheio".
Como eu gostaria de poder dizer isso a esses dois extremos: já estamos com o estoque de loucura na política americana lotado. Vão vendê-la em outro lugar.
Mas, como este é o único país que tenho, como as eleições de meio de mandato serão decididas por uma margem mínima e como estou convencido de que mais dois anos de Donald Trump totalmente sem amarras —controlando a Câmara, o Senado e, tacitamente, a Suprema Corte— poderiam provocar o fim dos Estados Unidos como os conhecemos, preciso pensar em como tirar o melhor proveito de algumas opções nada ideais.
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O caso que mais merece atenção está em Michigan, por isso aqui vai um conselho gratuito para Abdul El-Sayed, o candidato democrata ao Senado pelo estado . Por que ele? Porque sua vitória ou derrota pode determinar se Trump continuará governando como monarca, sem nenhuma fiscalização do Congresso.
Senhor, se quer conquistar os eleitores judeus e centristas de Michigan, aumentar suas chances de vitória, manter-se fiel às suas raízes pró-palestinas e árabe-americanas e dar o troco no American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), a organização pró-Israel cujo supercomitê de ação política gastou US$ 32 milhões (R$ 165,7 milhões) para tentar derrotá-lo nas primárias, o senhor terá de avançar por esse estreito caminho político com muito cuidado. Há uma maneira.
El-Sayed afirma que os judeus de Michigan não deveriam se preocupar com ele —insistindo que seu compromisso "com a segurança dos judeus é o mesmo compromisso" que ele tem com a segurança de suas "próprias filhas".
Isso é louvável, mas muitos eleitores judeus americanos não estão apenas em busca de maior proteção policial por parte de seus representantes eleitos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.