Ata do Fed tem tom duro, mas cenário ainda não justifica alta de juros, diz ING
A ata da reunião de julho do Federal Reserve trouxe sinais de maior preocupação com a inflação , mas não altera a expectativa de manutenção dos juros nos Estados Unidos , na avaliação de James Knightley, economista-chefe internacional do ING .
Para o analista, o documento era naturalmente mais “ hawkish ” (favorável a juros mais altos), já que três dirigentes do banco central americano defenderam um aumento imediato de 0,25 ponto percentual na taxa básica. Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari votaram por uma elevação dos juros, enquanto os demais integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) optaram por manter a faixa entre 3,50% e 3,75% .
A ata mostrou que alguns participantes apoiavam uma alta de juros na reunião e consideram que novos aumentos poderão ser necessários caso a inflação não continue desacelerando. Ainda assim, a maioria preferiu aguardar mais evidências antes de promover um novo aperto monetário.
Na leitura de Knightley, o aspecto mais importante é que a ata reflete a visão do conjunto do Fed em um momento anterior à divulgação de indicadores econômicos mais recentes, que apontaram perda de fôlego da economia americana.
“Devemos lembrar que a ata reflete opiniões formadas antes da última rodada de números fracos de emprego, leituras benignas de inflação e dados decepcionantes de vendas no varejo e confiança do consumidor”, afirmou o economista em relatório.
Segundo ele, embora o documento reforce a preocupação da autoridade monetária com os riscos inflacionários, os integrantes com direito a voto neste ano tendem a adotar uma postura mais cautelosa em relação à necessidade de elevar os juros.
Knightley destaca que as projeções divulgadas pelo Fed em junho mostraram uma divisão interna sobre os próximos passos da política monetária. No entanto, ele argumenta que muitos dos dirigentes que ainda projetam altas de juros não participam das votações neste ano.
“Dos nove que acreditam que será necessário elevar os juros, suspeitamos que apenas três sejam membros votantes em 2026, e eles já votaram por uma alta em julho”, escreveu.
Para o economista, isso significa que, para uma elevação efetiva dos juros ocorrer, seria necessário convencer os integrantes que hoje não veem necessidade de aperto monetário. Na prática, isso exigiria uma combinação de inflação mais elevada e fortalecimento do mercado de trabalho, cenário que não faz parte das projeções do ING.
Embora a ata destaque riscos inflacionários ligados ao conflito no Oriente Médio e aos investimentos em inteligência artificial, Knightley avalia que as tendências mais recentes da economia apontam na direção oposta. O banco cita desaceleração da inflação, enfraquecimento do emprego e sinais de menor dinamismo do consumidor como fatores que reduzem a necessidade de novas altas.
Dessa forma, o ING mantém a avaliação de que o Fed deverá deixar os juros inalterados por um longo período. “Nossa visão continua sendo de que o Fed manterá as taxas de juros estáveis bem dentro de 2027”, concluiu Knightley.
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