A Bolsa caiu e os juros estão altos: é hora de comprar, vender ou esperar?
Quando a Bolsa cai, os juros continuam altos e as notícias sobre investimentos se multiplicam. Parece que todo mundo tem uma opinião sobre o que fazer com o dinheiro.
Tem quem veja a queda de preço e enxergue imediatamente uma liquidação: "Está barato, é hora de comprar".
Tem quem olhe para o gráfico vermelho e pense: "Melhor sair agora antes que eu perca ainda mais".
Outros observam os juros elevados e concluem: "Eu não vou correr risco, vou ficar na renda fixa".
E há ainda um quarto time, daqueles que não compram, não vendem, não mudam nada. Ficam sentados do lado de fora, esperando ter certeza e vendo a banda passar.
A resposta importa porque, muitas vezes, acreditamos estar reagindo racionalmente às condições do mercado quando, na verdade, nossas decisões são influenciadas pelo medo, pela ansiedade, pela sensação de segurança ou até pela quantidade de informações que consumimos.
Esse investidor entra no mercado como quem chega ao shopping no primeiro dia de liquidação. Viu 30% de desconto na vitrine? Enxerga oportunidade.
No mercado financeiro, porém, há uma diferença importante: preço menor não significa necessariamente que um ativo esteja barato.
Uma ação pode cair porque o mercado exagerou na reação a uma notícia, mas também porque as perspectivas para aquela empresa efetivamente pioraram. Comprar apenas porque o preço caiu seria parecido com levar para casa um sapato em promoção numa numeração menor que a sua. O desconto pode ser ótimo, o problema é descobrir depois que você não conseguirá usá-lo.
Por isso, uma queda de preço pode até oferecer uma oportunidade, mas, sozinha, não deveria ser argumento suficiente para investir.
Aqui encontramos o investidor que sente o barco balançar e corre para o bote salva-vidas.
A carteira caiu 5%, 10%, 15% e aquele número vermelho começa a incomodar mais do que qualquer racional construído quando o investimento foi realizado. Surge então uma ideia aparentemente protetora: "Vou vender agora para não perder mais". É a aversão à perda entrando em campo: nosso impulso de evitar uma perda pode falar mais alto justamente quando o desconforto aumenta.
O problema é que, na tentativa de eliminar o desconforto, podemos tomar uma decisão com impacto muito maior do que a própria oscilação que a provocou.
Isso quer dizer que nunca devemos vender um investimento que caiu? Claro que não.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.