Fim do Redata impulsiona busca por alternativas tributárias para manter “boom” de data centers no Brasil, aponta PwC
Com o fim da Medida Provisória que criava um regime especial de impostos para o setor, gigantes da tecnologia recorrem a Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) e a mecanismos de infraestrutura, como o Reidi, para viabilizar operações.
É o que mostra o levantamento “The Brazilian Tax Landscape for Data Centers”, da PwC , que detalha como o mercado está se reestruturando após a perda de validade do Regime Especial para Serviços de Data Center (ReData), ocorrida em fevereiro de 2026.
O ReData previa a suspensão de tributos federais — PIS, Cofins, IPI e Imposto de Importação — na compra de equipamentos de tecnologia, com possibilidade de alíquota zero mediante compromissos de sustentabilidade e inovação.
Sem a conversão da medida provisória em lei, as empresas agiram rápido para redirecionar suas estratégias para regiões com arcabouços tributários já regulamentados.
Segundo o levantamento, a principal alternativa encontrada pelos grandes players tem sido as ZPEs, que oferecem uma estrutura regulatória mais previsível para projetos de processamento e exportação de dados.
De acordo com o documento, projetos bilionários já foram aprovados e estão em desenvolvimento nas ZPEs de Pecém (CE), Bacabeira (MA) e Uberaba (MG).
Além das ZPEs, o estudo aponta o uso estratégico de outras ferramentas para viabilizar os investimentos do setor.
O Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) tem sido aplicado na desoneração da geração e transmissão de energia limpa, uma demanda altíssima — e cara — dos data centers.
Paralelamente, a emissão de debêntures incentivadas e de infraestrutura tem se mostrado vital para reduzir os custos de capital em projetos de longo prazo.
Leia também: Apenas 8% das empresas conseguem transformar IA em vantagem competitiva PL no Congresso tenta resgatar os incentivos O relatório também destaca que várias propostas legislativas, como o PL nº 278/2026, tramitam no Congresso Nacional para resgatar os incentivos perdidos e integrar o regime do ReData ao das ZPEs, com o objetivo de transformar o Brasil em um hub global de conectividade.
“O ambiente tributário do Brasil para data centers está em pleno desenvolvimento e reflete o crescente reconhecimento da infraestrutura digital como um ativo estratégico para a inovação e competitividade do país”, afirma Carlos Coutinho, sócio e líder de Tributos da PwC Brasil .
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