“Segurança digital falha ao culpar o usuário”, diz Radia Perlman na Febraban Tech
A cientista da computação e engenheira de redes , Radia Perlman , conhecida como “mãe da internet”, afirmou nesta terça-feira (25), em painel na Febraban Tech 2026 , que a segurança digital erra ao transferir para o usuário a responsabilidade de resistir a golpes.
Pesquisadora sênior e consultora da Dell Technologies , ela falou também sobre computação quântica, inteligência artificial (IA) e o ofício de projetar sistemas.
Criadora do Protocolo Spanning Tree (STP) , desenvolvido em 1985 e até hoje fundamental para a operação das redes de computadores, Radia resumiu em uma frase o método que a levou até ali: “Um dos meus superpoderes é que odeio computadores, então projeto coisas para pessoas com o meu perfil”, afirma.
O problema não é o usuário Ela é direta ao rejeitar a tese de que as pessoas precisam de mais treinamento de segurança.
Em seu livro “ Network Security: Private Communications in a Public World” , escrito com Charlie Kaufman e Mike Speciner , assinou uma passagem da qual diz se orgulhar: “Os seres humanos são incapazes de armazenar coisas com segurança com uma velocidade inaceitável para realizar essas tarefas, e também são grandes e difíceis de manter e gerenciar” A construção é uma analogia com as limitações de qualquer dispositivo ou componente de um sistema, afinal, nenhum engenheiro exige que uma peça entregue o que ela não pode entregar; mas, com usuários, a indústria faz isso o tempo todo.
“Temos que aprender a lidar com as pessoas”, diz, defendendo que os sistemas se acomodem às limitações humanas, e não o contrário.
No centro dos problemas de segurança, para ela, estão a autenticação e a nomeação.
Radia cita normas corporativas, como quando dois funcionários têm o mesmo nome, o sistema obriga todo mundo a acrescentar iniciais para diferenciar um do outro, enquanto uma saída de melhor compreensão seria enriquecer esses diretórios com informações que as pessoas de fato reconhecem, como localização e foto.
A cientista de cibersegurança que caiu em um golpe A cientista reforçou sua tese quando contou ao público uma história pessoal, que classificou como “muito instrutiva”.
Ela precisava renovar a carteira de motorista, então buscou no Google, clicou no resultado patrocinado e caiu em um site falso, onde preencheu nome, endereço e dados do cartão de crédito.
Quem percebeu a fraude foi o departamento antifraude do banco.
A mulher que projetou o protocolo que mantém as redes de pé, não teve mais defesa do que qualquer outro motorista com uma habilitação vencida.
“Todos esses protocolos sofisticados que pensamos que resolvem os problemas eram, na verdade, maliciosos, eram criminosos”, afirma.
Computação quântica sem alarmismo Sobre computação quântica, Radia pediu cautela.
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