Flávio Bolsonaro quer espalhar “fiscais de urna” pelo país; estratégia pode tumultuar seções de votação
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na esteira de sua estratégia de deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro, anunciou que pretende montar uma rede de fiscais para acompanhar as urnas eletrônicas em todo o país nas eleições de 2026 .
Segundo ele, será criado um site para recrutar interessados, que posteriormente seriam credenciados e orientados para atuar no dia da votação.
A fiscalização por partidos, federações e coligações é prevista pela legislação eleitoral e, portanto, não há ilegalidade no recrutamento de fiscais.
A estratégia anunciada por Flávio, no entanto, ganha relevância diante do discurso usado pelo candidato para convocar os apoiadores e dos limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral para impedir interferências e tumultos dentro das seções.
Flávio afirmou em transmissão ao vivo nesta quinta-feira (17) que pretende ter apoiadores espalhados pelo Brasil inteiro.
“Basicamente, a gente vai recrutar, as pessoas vão poder se inscrever, vão ser credenciadas, vai ter um rápido ensinamento como é que faz para a gente fazer a fiscalização das urnas, em especial no momento que a urna fechou.
A gente tem que ter gente nossa pelo Brasil inteiro fiscalizando para evitar que pessoas mal-intencionadas votem no lugar de outras e façam alguns tipos de atitudes ilegais.” A possibilidade mencionada por Flávio de questionar a identidade de um eleitor também está prevista nas normas.
Candidatos, delegados e fiscais credenciados podem formular protestos e impugnações, inclusive sobre a identidade de quem comparece para votar.
Por outro lado, a identificação do eleitorado não depende dos fiscais.
Nas eleições de 2026, o TSE determina o uso da identificação biométrica em todas as seções eleitorais do país , além da conferência de documento e dos dados apresentados no terminal da mesa receptora.
Segundo o próprio Tribunal, a biometria é utilizada justamente para reforçar a segurança da identificação e prevenir fraudes.
TSE limita número de fiscais e atuação dentro da seção A Resolução nº 23.751/2026 estabelece que partidos, federações e coligações podem fiscalizar todas as etapas da votação e da apuração.
Cada grupo político pode nomear até dois fiscais para cada Mesa Receptora , mas somente um deles pode atuar por vez dentro da seção.
Além disso, os fiscais não atuam de forma independente da estrutura partidária.
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