Reeleição de Lula pode ampliar pressão de Trump, favorecer China e acirrar tensões com Argentina, avalia especialista
Foto: Divulgação Casa Branca A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve provocar reflexos nas relações do Brasil com seus principais parceiros comerciais.
Enquanto a continuidade do governo brasileiro é vista como positiva para os interesses da China e da União Europeia, a relação com os Estados Unidos pode enfrentar novas pressões comerciais, e a relação com a Argentina deverá ser mais difícil.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo : siga o Canal Rural no Google News! A avaliação é de Marcelo Fernandes de Oliveira, professor do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em relações internacionais.
Em entrevista ao Canal Rural , ele analisou os possíveis desdobramentos da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) para o comércio exterior brasileiro.
Segundo o professor, porém, outra eleição poderá ser ainda mais determinante para o futuro das relações entre Brasil e Estados Unidos: a disputa pelo Congresso norte-americano, marcada para 3 de novembro.
O resultado, na avaliação de Oliveira, definirá a capacidade do presidente Donald Trump de pressionar o governo brasileiro por concessões comerciais e estratégicas, especialmente em relação à exploração de terras raras.
Eleição nos EUA pode determinar pressão sobre o Brasil Para Oliveira, o principal fator de incerteza na relação entre Brasil e Estados Unidos é a capacidade de Trump manter sua influência sobre o Congresso norte-americano.
Em 3 de novembro, os Estados Unidos realizam as chamadas eleições de meio de mandato, que renovarão toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
“Se o Trump perder nas eleições no dia 3 de novembro, as eleições de meio-termo, o Trump vai perder muita força internacional.
Porque ele vai ter que negociar mais do ponto de vista doméstico para ter suas pautas, sua agenda política aprovada”, explicou.
Segundo o professor, uma eventual perda de espaço dos republicanos no Congresso poderia reduzir a atenção dedicada pelo governo norte-americano às disputas comerciais com o Brasil.
Por outro lado, caso Trump consiga preservar uma base parlamentar favorável, Oliveira considera possível uma ampliação das medidas de pressão econômica contra o governo Lula.
“Ele vai elevar a tarifa contra o Brasil para que as tarifas sejam instrumentos efetivos de pressão política e econômica para que o governo Lula tenha um alinhamento mínimo com os Estados Unidos, sobretudo em questão de terra rara e também em questão de outras matérias-primas do setor agrícola”, avaliou.
O especialista acredita que uma eventual ofensiva tarifária não atingiria necessariamente todos os produtos brasileiros da mesma maneira.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.canalrural.com.br — o conteúdo pertence a Canal Rural.