Inflação perto de zero emagrece retornos do Tesouro IPCA+
A inflação em desaceleração tende a emagrecer os rendimentos das aplicações corrigidas pelo IPCA, caso do Tesouro IPCA+ (NTN-Bs), das debêntures atreladas ao indexador, além de fundos imobiliários de papel e de fundos de renda fixa e de crédito privado.
O índice subiu 0,16% em junho e desacelerou para 0,07% em julho, com expectativa de uma pequena deflação em agosto.
O número do mês não altera, porém, o quadro mais amplo: a inflação acumulada em 12 meses até julho ainda está em 4,44%, distante de um cenário de estabilidade de preços.
O retorno mensal de um título indexado à inflação combina duas parcelas, o juro real contratado na compra e a variação do IPCA no período.
Com o IPCA em 0,07%, sobra praticamente só a primeira.
Um título Tesouro IPCA+7% ao ano rende 0,57% de juros no mês, o que somado à inflação chega a 0,64% de retorno total.
Com taxa de 8% ao ano, o retorno total sobe para 0,71%.
No mesmo período, o CDI ficou em cerca de 1,1%.
Aplicação Juro real no mês IPCA Retorno total Tesouro IPCA + 7% 0,57% 0,07% 0,64% Tesouro IPCA + 8% 0,64% 0,07% 0,71% CDI – – 1,1% Todos os números são brutos, antes de Imposto de Renda, que é isento para os rendimentos das debêntures incentivadas.
A diferença entre os retornos é o que o mercado chama de custo de oportunidade, ou seja, o que o investidor deixou de ganhar por estar em outra aplicação, o que não significa um grande prejuízo nem motivo para desistir da posição.
Leia também: Taesa paga 100% do lucro em dividendos, mas ainda vale para renda passiva? Por que o Tesouro IPCA+ segue no radar O número baixo do IPCA de julho já era esperado pelo mercado pela própria sazonalidade e não deveria alterar a estratégia de quem busca investir nos ativos indexados ao índice, diz Luís Garcia, CIO (diretor de investimentos) da SulAmérica Investimentos.
Ele aponta que o mês rende menos em termos de carrego, o retorno acumulado por manter o papel em carteira, mas que esse efeito já estava incorporado aos preços.
“Pontualmente, é um mês de carrego menor, mas que já estava no preço dos títulos”, acrescenta Garcia.
“Dito isto, neste mês o título terá um rendimento abaixo do CDI”, avalia.
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