De guarda-costas a homem forte: como o neto de Raúl Castro ganhou poder em Cuba
Raúl Castro estava em uma visita oficial de Estado a Paris, uma década atrás, como presidente de Cuba, quando um corpulento integrante de sua equipe de segurança chamou atenção.
O homem permanecia tão próximo de Castro enquanto os dois caminhavam pelo tapete vermelho do Palácio do Eliseu que um integrante da guarda de honra francesa tentou afastá-lo.
Até François Hollande, presidente da França na época, fez um gesto para que ele recuasse.
O segurança que insistia em aparecer nas fotos oficiais não era outro senão o neto de Castro, Raúl G.
Rodríguez Castro, coronel do Ministério do Interior.
Hoje, aquele segurança que era praticamente desconhecido se tornou uma figura importante nas negociações de Cuba com os Estados Unidos, embora nunca tenha ocupado um cargo público.
Seu nome chegou a ser citado como alguém que poderia ser aceitável para o governo Trump como próximo líder de Cuba.
“Ele exemplifica como aquele governo funciona”, disse Tim Rieser, assessor de política externa do ex-senador Patrick Leahy, democrata de Vermont, que se encontrou várias vezes com Rodríguez Castro.
“É muito parecido com uma empresa familiar.
Alguém que, há uma década, nos era descrito como o segurança do presidente Castro, por alguma razão e por algum meio, tornou-se algo muito maior do que isso.” Mas Rodríguez Castro, que se reuniu com algumas das autoridades mais importantes do governo Trump, também pode ter usado sua considerável influência para proteger uma operação de contrabando em larga escala que retirava pessoas de Cuba e levava produtos ilícitos para o país, segundo entrevistas e documentos judiciais.
Rodríguez Castro, de 42 anos, foi acusado de ajudar a introduzir no país mercadorias compradas com cartões de crédito roubados, receber itens de luxo como propina e permitir que criminosos procurados circulassem livremente pela ilha, de acordo com entrevistas e documentos judiciais.
O esquema foi alvo de uma investigação federal que resultou na condenação de pelo menos 21 pessoas e em penas que somaram décadas de prisão.
Rodríguez Castro não foi acusado.
Esta reportagem é baseada em documentos judiciais e entrevistas com quase uma dúzia de pessoas que conhecem Rodríguez Castro pessoalmente — incluindo uma pessoa próxima às negociações com os EUA — ou que estão familiarizadas com a investigação criminal na qual seu nome apareceu.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.