Calor causa mais de 500 mil mortes por ano em todo o mundo, diz novo estudo
Em 2016, autoridades de mais de 190 países se reuniram na França para assinar o Acordo de Paris , um pacto global contra as mudanças climáticas .
De lá para cá, houve avanços tímidos no combate a essas alterações , mas estudos mostram que os danos à saúde ligados ao problema cresceram mais rápido na década após o acordo do que nos dez anos anteriores a ele.
É o que revela o novo relatório do projeto Lancet Countdown , lançado nesta quarta-feira, 28.
O documento reúne uma série de dados alarmantes, a exemplo do avanço das mortes relacionadas ao calor , que cresceram quase 36% no mundo na última década.
Continua após a publicidade Para ter ideia, somente entre 2016 e 2023, o calor esteve associado a uma média de 540,8 mil mortes por ano , das quais cerca de 369 mil ( 68% ) podem ser atribuídas às mudanças climáticas.
É uma piora importante em relação à década anterior.
Entre 2006 e 2015, a média anual de mortes atribuíveis ao aquecimento global era de 219,1 mil , cerca de 69% menor.
O Lancet Countdown atribui esse paradoxo — o crescimento dos danos apesar do Acordo de Paris — ao fato de que os impactos das mudanças climáticas têm aumentado mais rapidamente do que as medidas para contê-los.
Continua após a publicidade Para entender essa corrida contra o tempo, veja a seguir os principais dados do relatório e entenda como o aquecimento global já afeta a vida de milhões. +Leia também: Do calor extremo à poluição: os 7 alertas do Lancet sobre a crise climática no Brasil Termômetro nas alturas O calor é uma causa de morte cada vez mais comum.
Em 2023, o ano mais quente da série histórica avaliada pelo Lancet , houve um recorde estimado de 710 mil mortes no mundo relacionadas às altas temperaturas.
Para você entender a proporção: o número superou o de óbitos causados pela malária ou pelo HIV .
Continua após a publicidade “O calor extremo deixou de ser um evento excepcional e passou a constituir uma exposição crescente e recorrente ”, considera Isadora Vianna Fernandes, médica de família e coordenadora do Grupo de Trabalho de Saúde Planetária da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).
O problema é que essa exposição aos dias escaldantes aumenta o risco de doenças cardiovasculares , respiratórias, renais e, até mesmo, de descontrole da glicose e de transtornos psiquiátricos .
Fernandes explica que, quando faz muito calor, o cérebro ativa mecanismos para resfriá-lo, como a dilatação dos vasos sanguíneos e a produção de suor, que podem levar à perda de água e sais minerais, menor circulação sanguínea e produção de insulina, bem como aumento do esforço do coração .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.