Gerente da Anatel vê convergência entre 5G e TV 3.0 como algo transformador
O gerente de outorga e licenciamento de estações da Anatel , Renato Sales Bizerra Aguiar , afirmou que a integração entre o 5G e a TV 3.0 aberta será algo transformador no Brasil. “A televisão deixará de ser apenas receptiva para se tornar interativa”, disse em painel realizado em evento em São Paulo, nesta segunda-feira, 17. Para ele, a TV 3.0 será um ganho importante para os brasileiros, que ainda terão acesso a um serviço de maior qualidade.
Segundo o porta-voz da Anatel, a convergência proporcionará transmissões móveis com maior qualidade, como vídeos em 8K, com latência extremamente baixa e mais próxima do tempo real, além de possibilidade de realidade aumentada.
“Com a cobertura 5G, temos uma infinidade de possibilidades, desde aquelas com mais alto grau de recurso disponível até aquelas em que você só precisa mesmo de uma mochila e de uma câmera para poder enviar imagens para o centro de produção do veículo de notícias”, destacou. O Brasil conta com cerca de 56 mil estações 5G na faixa de 3,5 GHz.
Um exemplo da relevância dessa rede foi apresentado por Robson Tavares, diretor técnico da Rede CNT, de Curitiba. Por lá, a empresa constatou a viabilidade de usar o 5G Broadcast para transmitir a programação das emissoras aos celulares de forma gratuita e sem precisar de plano de dados ou chip de operadora.
Nos testes, foi usado o espaço de 10 MHz de intervalo, onde foi ajustado o canal de 5 MHz para transmissão, em que a rede conseguiu colocar simultaneamente quatro canais de TV ao vivo de diferentes emissoras. De acordo com Tavares, a transmissão “foi bem fluida e com pouco delay”. Aos poucos, a empresa começou a escalar a potência de transmissão de 30 W para 4 kW, que não interferiu ou causou ruído nas redes celulares próximas. Todo o processo foi realizado em parceria com a Anatel.
“O 5G Broadcast é super viável, mas é preciso que todos os players do mercado façam a sua parte para que ele se torne realidade, como a Anatel e os ministérios, pois é necessário ter um espectro de frequência compatível ao que as fabricantes de smartphones produzem. Sem contar que não adianta ser uma demanda apenas do Brasil, outros países precisam aderir. Caso contrário, as empresas não vão querer produzir essa tecnologia”, observou o executivo da Rede CNT.
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