Vitória de Flávio Bolsonaro ameaça o cinema brasileiro, alerta Variety
O cinema brasileiro pode enfrentar um novo período de cortes de recursos, paralisação de projetos e enfraquecimento das políticas culturais caso Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno contra o presidente Lula (PT).
O alerta foi publicado pela Variety, uma das principais revistas especializadas em cinema do mundo, em reportagem produzida durante o Festival do Rio.A publicação acompanha a disputa presidencial e ouviu profissionais do audiovisual sobre os possíveis impactos de uma mudança de governo para a indústria cinematográfica.
O temor está relacionado principalmente à possibilidade de retomada de políticas semelhantes às adotadas durante o governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.
Cinema brasileiro vive momento de reconhecimento internacionalO alerta ocorre justamente quando o cinema nacional atravessa um dos períodos de maior projeção internacional de sua história recente.Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, conquistou o primeiro Oscar do Brasil.
Já O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, voltou a colocar o país em destaque no circuito internacional depois de receber dois prêmios no Festival de Cannes.Para a Variety, esse avanço está diretamente relacionado à retomada de políticas públicas voltadas ao audiovisual durante o governo Lula.
Após ser reeleito em 2022, o presidente anunciou R$ 1,6 bilhão em investimentos destinados à produção nacional de cinema e televisão.O setor também passou a contar com incentivos fiscais, subsídios e políticas voltadas à exibição de filmes brasileiros nas salas de cinema.Setor emprega mais de 600 mil pessoasA importância da indústria audiovisual também é econômica.
De acordo com estudo da Oxford Economics citado pela publicação, o setor gera mais de 600 mil empregos diretos e indiretos no Brasil.O número representa 58% mais postos de trabalho do que a indústria automobilística, reforçando o peso do cinema e do audiovisual para além da produção cultural.O cenário atual contrasta com o período do governo Jair Bolsonaro.
Na época, os orçamentos da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) sofreram cortes de quase 43%.Além disso, o setor enfrentou um congelamento de recursos públicos durante 18 meses, agravando uma crise que já afetava produtores, cineastas e trabalhadores da área.Profissionais temem repetição do período BolsonaroDurante o Festival do Rio, o clima entre integrantes do setor mudou após o resultado do primeiro turno.
Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%.Antes da votação, o diretor Karim Aïnouz declarou voto em Lula durante sua participação no festival.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.