Aversão ao risco faz Ibovespa acordar do 'sonho eleitoral'; o rali da bolsa acabou?
Depois da disparada que levou o Ibovespa dos 190 mil para os 207 mil pontos no início da semana, a onda de aversão ao risco lá fora tirou o protagonismo da eleição e pressionou a bolsa para baixo nesta quarta-feira (7).
O principal índice da B3 caiu 0,7%, para os 204.302 pontos, sob o peso de ao menos mais uma alta nos juros americanos neste ano, reduzindo os ganhos na semana para 6,3%.
O principal vetor do pessimismo veio dos Estados Unidos, onde a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) trouxe um tom mais rígido.
O documento revelou que a maioria dos dirigentes, 16 dos 18 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), considera apropriado mais um aumento dos juros este ano para conter a inflação, que segue acima da meta de 2% há mais de cinco anos.
Embora a ata não tenha cravado a data do próximo aperto, com as atenções divididas entre as decisões de 28 de outubro e 9 de dezembro, o documento destacou que uma postura monetária mais conservadora é prudente para evitar pressões sobre os preços.
A perspectiva de juros mais altos por mais tempo nos EUA jogou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) para os maiores níveis em mais de duas décadas.
Nos títulos de 10 anos, o rendimento bateu 5,35% durante a sessão, máxima desde 2002, antes de cair para a faixa dos 5,28% após um leilão.
A taxa dos títulos de 30 anos também flertou com picos históricos, próxima de 5,67%.
Na esteira da disparada dos juros americanos, as bolsas em Nova York caíram em bloco.
O Dow Jones recuou 0,7%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq fecharam com perdas de 0,2%.
"Os títulos americanos mais longos continuam renovando máximas e isso acaba se refletindo nos mercados globais, inclusive no Brasil", explica Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
No mercado de câmbio, o tom de cautela no exterior também pesou sobre o real.
A busca por segurança fortaleceu a divisa americana globalmente, sobretudo ante moedas emergentes, limitando o espaço para o otimismo com a política doméstica.
O dólar à vista subiu 0,7%, cotado a R$ 5,0105, próximo da máxima do dia, de R$ 5,0160.
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