“Zanin criou um monstro jurídico”: o que a decisão do STF de estender a votação pode significar para a eleição de 2026
“ O ministro Zanin, de forma irresponsável, criou um monstro jurídico .” A crítica do advogado Alberto Rollo , especialista em direito eleitoral, tem como alvo uma decisão tomada quando o relógio já marcava o fim da votação: a ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin , para estender o horário das eleições de 2026 até as 19h em todo o país .
O problema é que, quando a determinação foi divulgada, pouco depois das 17h, boa parte das seções eleitorais já havia encerrado os trabalhos .
Em alguns locais, os mesários tinham emitido os boletins de urna e sido liberados; em outros, os eleitores ainda estavam nas filas e poderiam votar.
Na prática, a mesma eleição passou a ter condições diferentes de encerramento, abrindo espaço para questionamentos sobre a igualdade entre os eleitores e a segurança jurídica do resultado.
De antemão, já digo: isso não significa, por si só, que as eleições de 2026 possam ser anuladas .
Mas especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro avaliam que a forma como a prorrogação foi determinada pode alimentar disputas judiciais após a apuração.
Impasse nas eleições de 2026 A extensão do horário foi motivada por dificuldades de deslocamento dos eleitores .
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) recorreram à Justiça com pedidos diferentes.
Lula defendeu a prorrogação em todo o país, enquanto Flávio pediu a medida em municípios afetados por problemas de transporte e chuvas.
A determinação de Zanin, porém, chegou quando a operação eleitoral já estava em andamento.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, comunicou oficialmente a mudança aos tribunais regionais eleitorais (TREs) às 17h49, quase uma hora depois do horário previsto para o encerramento.
“O TSE demorou para decidir.
O pedido de prorrogação foi feito à tarde e, se era para deferir, tinha que ter sido logo — assim como, se fosse para negar.
Como o ministro Kássio não decidiu, abriu espaço para que recorressem ao STF, onde o caso caiu com o ministro Zanin, que tomou essa decisão.
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