Cerco aos adolescentes aperta, e Meta usa influenciadores para se defender
A Meta está recorrendo a influenciadores para tentar conter o avanço de leis que restringem ou proíbem o uso de redes sociais por adolescentes.
Segundo o The Guardian , a estratégia envolve criadores de conteúdo sobre parentalidade, estilo de vida e saúde mental, que são convidados para eventos e, em alguns casos, recebem pagamentos para divulgar recursos de segurança oferecidos pelo Instagram .
A campanha ganhou força à medida que governos de diferentes países passaram a discutir limites de idade para o acesso às plataformas.
A Austrália , que, em novembro de 2024, aprovou a primeira lei do mundo a proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, tornou-se um dos principais focos da estratégia da empresa .
Em julho de 2025, cinco meses antes da entrada em vigor da legislação australiana, a Meta reuniu influenciadores especializados em parentalidade em evento às margens da baía de Sydney, com vista para a Ópera de Sydney.
O encontro tinha decoração inspirada em acampamentos, com barracas e materiais personalizados com a marca do Instagram, além de atividades para os convidados.
O chamado “Instagram Safety Camp”, porém, tinha um objetivo mais específico: convencer os influenciadores a defenderem a ideia de que proibir adolescentes de utilizar redes sociais não seria a melhor maneira de protegê-los.
Segundo um relatório do Tech Transparency Project (TTP), grupo que acompanha o setor de tecnologia, a Meta vem recrutando influenciadores desde 2024 para divulgar suas ferramentas de segurança para adolescentes.
A estratégia teria sido intensificada sempre que um governo começava a discutir novas regulamentações para usuários jovens.
Entre os recursos apresentados estão as Contas de Adolescente do Instagram , destinadas a usuários de 13 a 17 anos e configuradas com restrições adicionais.
Elas limitam quem pode enviar mensagens aos adolescentes, restringem o acesso a determinados conteúdos e incluem ferramentas de supervisão para os pais.
Alguns dos influenciadores recrutados pela Meta receberam patrocínio para publicar conteúdo sobre essas ferramentas.
A empresa, porém, afirma que não divulga os termos individuais de suas parcerias.
Influenciadores como porta-vozes Para Katie Paul, diretora do Tech Transparency Project, a utilização de influenciadores revela que a Meta percebeu que teria dificuldades para convencer o público sozinha.
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