El Niño ‘muito forte’: o que está em jogo para a safra, a inflação e os juros no Brasil
Regata, casaco de lã e guarda-chuva na bolsa.
Nos últimos meses, conferir a previsão do tempo antes de sair de casa deixou de ser suficiente para se preparar para o dia.
As mudanças bruscas no clima chamam atenção, mas seus efeitos mais relevantes costumam aparecer longe das ruas e dos termômetros.
Quando o assunto é El Niño , os impactos podem chegar às lavouras, aos preços dos alimentos , à inflação , ao crescimento econômico e até à trajetória dos juros .
É por isso que o fenômeno voltou ao radar de economistas, investidores e autoridades.
As condições típicas do El Niño já foram confirmadas no Oceano Pacífico, e os modelos climáticos apontam para um fortalecimento gradual ao longo dos próximos meses, especialmente entre a primavera e o verão.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), há 97% de probabilidade de que o evento persista até o início da primavera do hemisfério norte de 2027 e 81% de chance de que alcance intensidade considerada muito forte entre outubro e dezembro deste ano.
A preocupação, no entanto, vai muito além das variações de temperatura.
O mercado tenta medir até que ponto uma mudança no comportamento das chuvas pode alterar a dinâmica da economia brasileira .
O raciocínio parece simples: condições climáticas adversas afetam a produção agrícola, que influencia a oferta de alimentos, que por sua vez interfere na inflação.
Dependendo da intensidade desse movimento, os reflexos podem alcançar o crescimento econômico e a própria condução da política monetária pelo Banco Central .
Mas a realidade é menos linear do que a teoria.
Ao contrário de outros choques econômicos, o El Niño não produz um efeito uniforme sobre o país.
O mesmo fenômeno que pode prejudicar uma região tende a beneficiar outra.
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