BC avalia travas para conter endividamento das famílias antes de teto para comprometimento da renda
O Banco Central está estudando uma série de medidas para conter o endividamento da população, mas planeja primeiro implementar limites para os bancos antes de se debruçar sobre um eventual teto para o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas , disseram duas fontes com conhecimento do assunto.
Falando sob condição de anonimato porque as discussões ainda não são públicas, as fontes disseram que a autoridade monetária está cada vez mais preocupada com a ampla oferta de produtos de crédito de alto custo, exigências frágeis de transparência e o baixo nível de educação financeira, uma combinação que o BC vê alimentando a concessão excessiva de crédito a tomadores já endividados.
Uma das fontes disse que há um amplo alinhamento com a avaliação do Fundo Monetário Internacional ( FMI ) de que, diante do avanço do comprometimento da renda das famílias para níveis recordes, aumentou a justificativa para a adoção de instrumentos macroprudenciais mirando os tomadores de crédito.
A fonte ressaltou, porém, que um limite para a relação entre serviço da dívida e renda, recomendado pelo FMI em julho, não é atualmente a medida preferida pelas autoridades para um primeiro passo.
O FMI também argumentou que regras mais rigorosas de proteção ao consumidor, incluindo salvaguardas reforçadas contra práticas abusivas de crédito e maior responsabilização dos credores poderiam ajudar a garantir que o crédito permaneça acessível e adequado aos tomadores.
Procurado, o Banco Central não comentou.
Após a reunião desta semana do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), o BC afirmou que, diante da crescente participação de modalidades de crédito de alto custo no endividamento das famílias, está preparando medidas para mitigar os riscos decorrentes dessa tendência, ao mesmo tempo em que busca fortalecer a sustentabilidade do crescimento do crédito e a resiliência do sistema financeiro.
Na visão de analistas do Citi, a mensagem do BC é relevante porque sugere uma mudança de foco: em vez de se preocupar apenas com o ritmo de crescimento do crédito, o BC parece estar voltando sua atenção para os critérios de concessão dos empréstimos e para a deterioração da qualidade das carteiras de crédito.
Autoridades do BC já apontaram anteriormente o crescimento do crédito no cartão de crédito e via empréstimos pessoais sem garantia como ponto de preocupação.
O Brasil tem 96 milhões de usuários de cartão de crédito, dos quais 52,8 milhões carregam saldos no rotativo ou em parcelamentos com cobrança de juros.
As taxas de juros do crédito rotativo podem chegar a 15,1% ao mês.
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