Uma nova ameaça ao negócio das empresas já tem permissão e crachá
Por Bruno Abreu, E m uma reunião de diretoria, a e mpresa decide contratar um novo colaborador para a operação, mas já no primeiro dia, e ntrega a e le as chaves-mestre da infraestrutura digital, acesso irrestrito ao banco de dados e autorização para tomar decisõ e s financeiras e m tem po real, tudo isso sem checar seus antecedentes ou submetê-lo a um único teste comportamental sob e stresse.
Por mais absurdo que e sse cenário pareça para a governança corporativa tradicional, é algo semelhante ao que muitas organizaçõ e s e stão fazendo ao acelerar a adoção da Inteligência Artificial.
Com o avanço da autonomia agêntica, passamos da automação simples e dos softwares de conversa passivos para algoritmos com maior capacidade de ação que consultam sistemas, interpretam contextos e e xecutam transaçõ e s com maior grau de autonomia.
Na prática, criamos um novo perfil operacional no e cossistema corporativo: o Insider Digital.
O grande paradoxo desse modelo é que o risco à cibersegurança deixou de vir apenas do invasor e xterno tentando derrubar a porta; parte relevante do risco já e stá do lado de dentro, operando com credenciais legítimas e permissõ e s amplas, com poucas travas contra comportamentos imprevistos e manipulaçõ e s e xternas.
O ponto cego da Gestão de Acessos e Identidades A e ssência dessa vulnerabilidade e stá na forma como a TI corporativa e struturou sua gestão de acessos e identidades nas últimas décadas.
Muitos protocolos tradicionais de Identity and Access Management (IAM) foram desenhados com foco na identidade humana: e xigem autenticação multifator, checam horários de login e delimitam papéis e státicos.
E ntretanto, o agente de IA e xpõ e novos limites dessa arquitetura ao atuar como uma identidade não-humana e não determinística.
E le utiliza credenciais válidas e chaves de API autorizadas para tomar decisõ e s e manipular dados e m uma velocidade incompatível com auditoria manual e m tem po real.
Não por acaso, dados da Pesquisa Global Digital Trust Insights da PwC revelam que 68% dos líderes de cibersegurança no Brasil reconhecem que a adoção de IA generativa ampliou a superfície de ataque das e mpresas .
E m um cenário no qual o Brasil chegou a registrar uma média de 3.348 tentativas de ciberataques semanais por organização, segundo a Check Point Research, tratar agentes inteligentes como meras “automaçõ e s de TI” cria um risco que as e quipes de defesa precisam considerar e xplicitamente.
Leia mais: Eleições 2026: 37 publicações com IA de candidatos não foram sinalizadas A latência e ntre a análise humana e a ação algorítmica Além da falha na gestão de acessos, o gargalo da contenção e m tem po real e scancara uma incompatibilidade e strutural profunda na cibersegurança corporativa.
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