Intervenção do governo terá efeito limitado para conter juros nos EUA
A Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (19), que vai dobrar de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões o programa de recompra de títulos públicos.
A medida busca, teoricamente, conter distorções pontuais causadas pela falta de liquidez nesse mercado.
O anúncio veio, porém, em meio a uma forte alta das taxas dos vencimentos longos, e fez eles caírem imediatamente.
O movimento deu impulso às bolsas globais - e à brasileira, que interrompeu com isso uma sequência de 11 dias de quedas.
Para analistas ouvidos pelo Valor Investe, porém, a medida não ataca a causa do problema – o aumento dos gastos fiscais e da inflação –, e seus efeitos devem ser limitados.
“O mercado acabou lendo a decisão como um sinal de que o Tesouro está atento à deterioração das condições dos títulos com vencimento longo.
Pode aliviar questões de liquidez e reduzir pontualmente a pressão sobre esses títulos, mas não muda os fundamentos”, afirma Marco Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil.
Para o chefe regional de pesquisas para as Américas do banco holandês ING, Padhraic Garvey, o programa de recompras, lançado em 2024, perdeu força no último período, após um início bem-sucedido.
“Nesse sentido, há justificativa sólida para o Tesouro anunciar recompras maiores nos prazos mais longos", escreveu.
O momento do anúncio, porém, acende um alerta.
"Há apenas duas semanas, o Tesouro havia divulgado o cronograma de recompras previsto para o trimestre.
Atualizá-lo tão cedo é bastante inesperado.
Embora o Tesouro afirme que a mudança tem como único objetivo reforçar a liquidez, fica no ar a suposição de que possa ser uma reação à alta aparentemente incessante dos juros dos títulos longos", diz.
Como as recompras são um “jogo de soma zero”, dificilmente vão alterar de forma significativa a trajetória natural dos juros.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.