Perda de fôlego da economia abre espaço para corte maior dos juros em 2026
A retração da atividade econômica em junho e a desaceleração no segundo trimestre abrem espaço para o BC (Banco Central) intensificar a trajetória de corte da taxa básica de juros, a Selic, nos próximos meses.
Atividade econômica do Brasil encolheu 0,64% em junho. A variação foi registrada pelo IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), indicador do BC conhecido por antecipar o resultado do PIB (Produto Interno Bruto). Com a queda, o indicador deixou o maior nível de sua série histórica, registrado em maio.
Resultado indica para a perda de força da economia nacional. A prévia do BC mostra que o desempenho do PIB teve um crescimento inferior ao registrado nos três primeiros meses deste ano, quando o Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 e a valorização real (acima da inflação) do salário mínimo estimularam o consumo.
Parece que agora no segundo trimestre a gente volta ao patamar de desaceleração observado no final do ano passado, principalmente a tendência de desaceleração. Antonio Ricciardi, economista do Daycoval
Desaceleração abre margem para queda mais intensa dos juros. Os analistas do mercado financeiro avaliam que o andamento da economia será relevante para as próximas definições da taxa Selic. "A atividade realmente está enfraquecendo, e essa é a leitura que o Copom terá na mão", afirma Paulo Gala, economista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Cenário do IBC-Br reflete efeitos da política monetária restritiva. A perda de força da economia permite compreender o papel da taxa Selic em dois dígitos desde fevereiro de 2022, que nem sequer foi compensada pelos estímulos fiscais do governo. "A decepção com a atividade no segundo trimestre parece refletir menos um cenário em que os estímulos fiscais tiveram efeito pleno e apenas amorteceram uma desaceleração mais intensa", diz relatório do Itaú assinado por Diogo Guillen, economista-chefe do banco.
Mercado revisa as perspectivas para a taxa Selic ao final de 2026. Faltando mais reuniões até o fim deste ano, as expectativas agora apontam para a manutenção do ciclo que reduziu a taxa básica de juros de 15% para 14% ao ano nas últimas quatro reuniões. "Esperamos a continuidade da desaceleração da economia, com o PIB variando 1,8% em 2026, o que permitirá ao Copom manter o ciclo de calibração da Selic, encerrando o ano a 13,25% ao ano", diz André Valério, economista sênior do Inter.
Previsões apontam para mais um corte da taxa de juros neste ano. A mediana das expectativas do Relatório Focus indica que a Selic será reduzida mais uma vez em 0,25 ponto percentual e fechará o ano em 13,75% ao ano . As oscilações das apostas para o fim de 2026, no entanto, variam entre uma taxa terminal de 14,25% ao ano (patamar 0,25 ponto percentual superior ao atual) e de 12,75% ao ano (nível 1,25 ponto percentual menor).
Última ata do Copom deixou o futuro da taxa básica de juros em aberto.
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