O escandaloso contraste entre Appio e a leniência com lavajatistas no TRF-4
A punição de perda de cargo imposta ao juiz federal Eduardo Appio pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nesta quinta-feira (27/8), contrasta de forma gritante com a leniência dedicada a desvios cometidos por magistrados responsáveis pela operação “lava jato” na corte.
A discrepância de tratamento foi esmiuçada pelo jornalista Luís Nassif, em artigo publicado no site GGN nesta sexta (28/8) .
O texto expõe em detalhes a incoerência da decisão da Corte Especial Administrativa do TRF-4 que, por 14 votos a 2, determinou a perda do cargo do magistrado e a sua colocação em disponibilidade, sem vencimentos.
Divulgação/Justiça Federal do Paraná Juiz federal Eduardo Fernando Appio pediu remição para a 18ª Vara Federal de Curitiba A punição a Appio baseia-se no suposto furto de duas garrafas de champanhe Moët & Chandon, avaliadas em R$ 400 cada, em um supermercado de Blumenau (SC), em outubro de 2025.
Conforme lembra Nassif, o mesmo tratamento não foi dispensado aos envolvidos no episódio conhecido como “Festa da Cueca” , em novembro de 2003.
Na ocasião, um grupo de desembargadores do TRF-4 reuniu-se com garotas de programa na suíte presidencial de um hotel de luxo em Curitiba.
O encontro foi gravado por uma câmera oculta no prendedor de gravata de um dos advogados presentes.
Nassif apontou que o vídeo do encontro foi apreendido pela Polícia Federal em dezembro de 2025, durante uma operação na 13ª Vara Federal de Curitiba determinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
Conforme as declarações do delator Tony Garcia, o material teria sido utilizado pelo então juiz federal Sergio Moro como ferramenta de chantagem judicial e pressão sobre os desembargadores da corte para evitar a reforma de suas decisões na operação.
O advogado Roberto Bertholdo confirmou a circulação das gravações para fins de intimidação.
Nassif ressaltou que, apesar da gravidade, não houve desdobramentos legais para investigar o caso e que vários dos desembargadores sob suspeita participaram do julgamento contra Appio.
O jornalista apontou que a perseguição a Appio começou quando o magistrado assumiu a titularidade da 13ª Vara Federal de Curitiba, em fevereiro de 2023.
Ao contrário de seus antecessores — Sergio Moro, Gabriela Hardt e Luiz Antônio Bonat —, que mantiveram a unidade como um feudo político-corporativo, Appio buscou aplicar o devido processo legal e abrir a caixa-preta dos métodos da operação “lava jato”.
Ele abriu duas frentes consideradas inaceitáveis pelo grupo: uma auditoria financeira sobre os acordos de leniência e uma oitiva pública do advogado Rodrigo Tacla Duran, que denunciou sob juramento um esquema de extorsão praticado por pessoas ligadas a Sergio Moro.
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