Os alertas do Anuário da Educação Básica 2026 para a carreira docente no país
O Anuário da Educação Básica 2026 apresenta os entraves e as conquistas do ensino brasileiro nos últimos dez anos.
A publicação faz um alerta para o cenário de crise na atratividade da carreira docente, destacando que apenas uma parcela tímida dos estudantes com melhor desempenho no Enem opta por cursos de licenciatura.
O documento, elaborado pelo Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna, demonstra que somente 14,7% dos ingressantes em licenciatura estavam entre os 20% de melhor performance no Exame Nacional do Ensino Médio de 2024.
Os microdados foram extraídos da sala de segurança do Inep em março.
O indicador registra uma trajetória de recuo desde 2020, quando o percentual era de 22%.
Na comparação com o curso de Direito, os ingressantes no quintil superior, ou seja, os 20% de melhores notas do exame, representaram 32,6%.
Enquanto Medicina, o índice atingiu 81,2%.
O Anuário detalha que, além do colapso no prestígio da carreira docente, as deficiências na formação inicial e as persistentes desigualdades étnico-raciais e socioeconômicas restringem ainda mais a chance de conclusão dos estudos.
O diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, aponta os resultados práticos desse diagnóstico.
“Os dados apresentados no Anuário mostram que o Brasil ainda não conseguiu consolidar aquilo que caracteriza os melhores sistemas educacionais no mundo: políticas docentes capazes de atrair estudantes de alto desempenho para a carreira, oferecer uma formação inicial que prepare efetivamente para o exercício da docência e garantir remuneração e carreiras capazes de desenvolver, valorizar e reter bons professores ao longo do tempo”, afirma.
Continua após a publicidade Por outro lado, o estudo aponta avanços no acesso à Educação Infantil e no crescimento de matrículas da Educação Profissional e Tecnológica (EPT).
Em 2025, o Brasil alcançou o patamar de 43,3% das crianças de até 3 anos matriculadas em creches, um acréscimo de 2,2 pontos percentuais em relação a 2024.
No atendimento à pré-escola (4 e 5 anos), o patamar atingiu 96,1%, melhor nível da série histórica e próximo da meta estipulada no Plano Nacional de Educação (PNE).
Já as matrículas no ensino médio técnico mais que dobraram em dez anos, subindo de 764 mil em 2015 para 1,58 milhão no ano passado — só em 2025 foram adicionadas 244 mil novas matrículas.
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