A próxima revolução da IA na saúde começou com uma agulha
Em 19 de agosto, a FDA autorizou o Aletta, primeiro dispositivo robótico autônomo aprovado nos Estados Unidos para realizar coleta de sangue sem intervenção manual direta.
O sistema usa infravermelho e ultrassom Doppler para localizar uma veia, aplica o garrote, prepara a pele, insere e descarta a agulha, troca os tubos e coloca o curativo.
Um profissional treinado inicia o procedimento, permanece disponível para intercorrências e pode supervisionar até três equipamentos ao mesmo tempo.
A notícia chama atenção pela imagem quase cinematográfica de um robô segurando uma agulha.
Mas o ponto mais importante não está no hardware.
Está na mudança de função da tecnologia.
Nos últimos anos, a inteligência artificial entrou na saúde principalmente como apoio: resumindo prontuários, interpretando imagens, transcrevendo consultas, identificando riscos e sugerindo decisões.
Agora começa a avançar sobre a execução de etapas do cuidado.
A fronteira entre “copiloto” e “agente” deixa de ser uma discussão de tecnologia e passa a ser uma discussão de responsabilidade.
Stanford oferece um bom exemplo dessa transição.
Em 2025, a Stanford Medicine apresentou o ChatEHR, ferramenta integrada ao prontuário eletrônico que permite a médicos e outros profissionais “conversar” com o histórico do paciente, pedir resumos e localizar informações clínicas.
No piloto inicial, 33 profissionais utilizavam o sistema.
A instituição também começou a testar automações capazes de avaliar, a partir do prontuário, se um paciente poderia ser transferido para outra unidade ou se necessitava de atenção adicional após uma cirurgia.
A decisão clínica continua nas mãos dos profissionais, mas parte do trabalho de buscar e organizar informação passa para a máquina.
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