Hapvida (HAPV3) convence ANS e consegue derrubar trava sobre reajustes — mas agência ficará de olho
A novela entre a Hapvida (HAPV3) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ganhou um novo capítulo — e, desta vez, mais favorável à operadora.
Um dia depois de suspender preventivamente reajustes e cancelamentos de contratos envolvendo cerca de 947 mil beneficiários , a agência voltou atrás e retirou, por ora, as restrições impostas à companhia.
Segundo informações da Reuters, a decisão foi tomada nesta sexta-feira (21), após uma reunião entre representantes da Hapvida e da ANS, no Rio de Janeiro.
O encontro serviu justamente para esclarecer os planos anunciados pela operadora na divulgação dos resultados do segundo trimestre, que haviam acendido o alerta do regulador.
Na semana passada, depois de apresentar um balanço que derrubou as ações em 33% em um único pregão , a Hapvida revelou uma das principais frentes de seu plano para recuperar a rentabilidade e a geração de caixa: rever contratos considerados pouco rentáveis e adotar critérios mais rígidos para clientes inadimplentes.
A companhia identificou cerca de 947 mil vidas, o equivalente a aproximadamente 11% de sua base, enquadradas nesses critérios.
Segundo a Hapvida, o tíquete médio desse grupo corresponde a aproximadamente metade da média consolidada do segmento de saúde.
A estratégia é aproveitar os ciclos regulares de renovação para negociar reajustes capazes de devolver o equilíbrio econômico aos contratos.
Nos casos em que isso não for possível — ou quando houver faturas em aberto —, parte dessas vidas poderá deixar a base da operadora.
A dimensão da iniciativa, porém, chamou a atenção da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS).
Na quinta-feira (20), o presidente da agência, Wadih Damous , afirmou que a medida apresentava uma “aparência muito forte de seleção de risco”, prática proibida pela regulação, e determinou cautelarmente a suspensão de reajustes e rescisões até que a Hapvida prestasse esclarecimentos.
A operadora reagiu dizendo que havia tomado conhecimento da decisão pela imprensa e que não tinha sido devidamente notificada nem chamada previamente a apresentar os elementos técnicos, contratuais e regulatórios envolvidos.
A companhia, então, solicitou uma audiência com o regulador.
Hapvida convence a ANS — mas fica sob vigilância Foi justamente essa reunião que mudou o rumo da história nesta sexta-feira (21).
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